Covid-19: países europeus batem recordes de infecções desde o início da pandemia

República Checa, Polónia e Países Baixos são países europeus que batem recorde de infecções desde o início da pandemia. A Índia está a a caminho de ultrapassar os EUA no número de infectados. Em França nunca houve tantos casos de covid-19 num dia.

Foto
Uma em cada sete pessoas apresenta um teste positivo ao coronavírus na Bélgica Reuters/YVES HERMAN

Na Europa houve já cerca de 6,5 milhões de casos de covid-19 e muitos países dizem estar já a atravessar a segunda vaga da covid-19. França teve nesta quarta-feira 18.746 novos casos de infecção e 80 mortes –nunca se registaram tantos novos casos de doença num dia em toda a pandemia, e foi quase o dobro em relação aos 10.489 de terça-feira.

Se Estados Unidos e Índia mantêm níveis elevadíssimos de novos casos de infecção diária, os europeus mantêm a recusa de voltar a encerrar-se, apesar de os números de infecção estarem a regressar aos níveis da Primavera, quando a pandemia estava no pico. Por ora, estão a ser tomadas medidas intermédias, como o encerramento de alguns sectores, ou de algumas regiões.

Mas, com o Inverno à porta, países como a China já alertaram para a falta de vacinas para a gripe sazonal, com milhões de pessoas a querem ser vacinadas, um problema identificado também pela França, e por outros países europeus, que temem não ter reservas suficientes da vacina para tamanha procura.

Enquanto se debate com um aumento exponencial de novos casos de coronavírus, França decidiu encerrar, nas próximas duas semanas, bares, ginásios e piscinas na capital, Paris, onde o alerta aumentou para o nível máximo.

Com 3678 casos de coronavírus – o maior número desde Abril – e 31 mortes na quarta-feira, a Itália, um dos países mais afectados na fase inicial da pandemia, prolongou esta quarta-feira o estado de emergência até 31 de Janeiro e impôs a obrigatoriedade do uso de máscara, inclusive no exterior. As medidas foram aprovadas pelo Parlamento e entram em vigor na quinta-feira. Quem as infringir enfrenta uma multa que pode ir dos 400 aos mil euros.

Já a Alemanha, que esta quarta-feira contabilizou mais de 2800 infecções, um máximo desde Abril, impôs medidas específicas para a capital, Berlim, onde a situação epidemiológica é mais complexa. Os bares, restaurantes e lojas têm de fechar até às 23h e, até às 6h, será imposto um recolher obrigatório, com os ajuntamentos privados em espaços interiores limitados a cinco pessoas. As medidas entram em vigor no sábado e prolongam-se pelo menos até 31 de Outubro.

No mesmo sentido, a Bélgica vai aplicar medidas mais rígidas no final da semana, limitando os ajuntamentos a quatro pessoas. Tomar uma cerveja belga será difícil bares, cafés e salões de Bruxelas têm ordens para encerrar durante um mês, e o consumo de álcool em espaços públicos está proibido. Uma em cada sete pessoas apresenta um teste positivo ao SARS-CoV-2 em Bruxelas, com o país a registar uma média de 2500 casos diários.

O Reino Unido, por seu lado, registou mais de 14 mil novos casos e 70 mortes na quarta-feira. Apesar de reconhecer que as infecções estão a disparar, principalmente em Londres, o primeiro-ministro, Boris Johnson, garantiu no Parlamento que “a abordagem local e regional combinada com as medidas nacionais são as correctas”. Na Escócia, que contabilizou mais mil casos nas últimas 24 horas, os pubs e bares estão proibidos de servir bebidas alcoólicas no interior dos estabelecimentos. 

Em Espanha, o país europeu com mais casos desde o início da pandemia (mais de 825 mil) regista números parecidos – 76 mortos e mais de dez mil infecções na quarta-feira, 2853 em Madrid. No entanto, diz o El País, a incidência de novos casos por cada cem mil habitantes diminuiu 21% nas últimas duas semanas e decresceu 70% nas áreas sob fortes medidas de confinamento.

Máximos de infecções

Depois de terem conseguido resistir com algum sucesso aos primeiros meses da pandemia, os países da Europa Central e do Leste começam a bater recordes. Esta quarta-feira, a República Checa registou 4457 novos casos de coronavírus, o máximo desde sempre. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), o país apresenta 326.8 infecções por cada 100 mil habitantes, tendo ultrapassado a Espanha (302.4).

Por seu turno, a Polónia passou pela primeira vez a barreira das 3000 infecções diárias e registou 75 mortes na quarta-feira. O Governo reconheceu que “o número de casos está a crescer drasticamente” e prometeu anunciar medidas mais restritivas.

Também os Países Baixos atingiram o máximo de novos casos esta quarta-feira – mais 5000. O Governo está a analisar novas medidas e esta quarta-feira o Parlamento holandês debateu uma lei de emergência que pode dar poder ao executivo para impor a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os espaços públicos.

Pesadelo indiano

Com mais de 7,5 milhões de casos e 211 mil mortos desde o início da pandemia, os Estados Unidos, a braços com uma crise sem precedentes com a infecção do Presidente, Donald Trump, e com um surto na Casa Branca, têm registado cerca de 40 mil novas infecções diárias. Em Nova Iorque, onde o número de novos casos está a crescer muito em algumas áreas, o governador, Andrew Cuomo, introduziu medidas de confinamento mais rígidas em algumas zonas, sobretudo em comunidades de judeus ultra-ortodoxos, onde a disseminação do vírus é maior.

As infecções nas comunidades ultra-ortodoxas têm sido também um problema em Israel, que esta quarta-feira prolongou o estado de emergência mais uma semana, o que impede os israelitas de participarem em manifestações a mais de 600 metros de casa. Mas isso não tem impedido os protestos contra o Governo de Benjamin Netanyahu – na noite de terça-feira, houve confrontos entre a polícia e centenas de judeus ultra-ortodoxos, que se manifestavam contra as medidas de confinamento. Na quarta-feira, Israel contabilizou mais 4682 novas infecções e há mais de 60 mil casos activos no país.

Nas próximas semanas, é expectável que a Índia, o país onde, em média, se verificou o maior aumento de casos nas últimas semanas – 72 mil na quarta-feira –, ultrapasse os EUA e se torne no país com maior número de infecções em todo o mundo. Desde o início da pandemia, a Índia contabiliza mais de 6,7 milhões de infectados e 105 mil mortos, metade dos óbitos verificados nos Estados Unidos.

A lista dos três países com mais infecções fecha-se com o Brasil, que se aproxima dos cinco milhões de casos de SARS-CoV-2 – mais 41.906 na terça-feira – e regista perto de 148 mil mortos. Seguem-se Rússia (1,2 milhões), Colômbia (870 mil) e Peru (830 mil).

Desde o início da pandemia, mais de 36 milhões de pessoas foram infectadas com o coronavírus e mais de um milhão morreu devido à doença causada pelo SARS-CoV-2. A seguir aos EUA, Brasil e Índia, México (82 mil), Reino Unido (42,5 mil) e Itália (36 mil) são os países com mais mortes causadas pela covid-19.