Berardo pede em tribunal indemnização de 900 milhões a quatro bancos

Acção judicial contra BCP, CGD, BES e Novo Banco reclama 800 milhões de euros para a Fundação José Berado e 100 milhões por danos morais.

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Joe Berardo, na Comissão Parlamentar de Inquérito da CGD, que ficou marcada por declarações polémicas LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O empresário José Berardo, mais conhecido por Joe Berardo, avançou com uma queixa contra quatro bancos (onde se inclui o BES, em liquidação) a reclamar uma indemnização de 900 milhões de euros. A notícia é avançada esta terça-feira pelo Diário de Notícias, e dá conta que os restantes bancos visados são o BCP, a CGD, e o Novo Banco. No âmbito desta iniciativa, o Estado é acusado de “conluio”.

O empresário acusa aquelas instituições financeiras “de terem lesado a Fundação e a Metalgest ao não terem dado informação sobre o risco real das instituições quando comprou acções com recurso a crédito”, avança o jornal.

No processo, é pedida uma indemnização no montante de 800 milhões de euros para a Fundação José Berardo, que, alega, se viu “despojada” para cobrir as dívidas contraídas junto dos bancos, e ainda mais 100 milhões de euros por danos morais, em consequência da “denegrição pública” da sua imagem.

Recorde-se que, em 2019, a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Novo Banco pediram a penhora dos títulos da Associação Colecção Berardo e, posteriormente, o arresto judicial da colecção de arte moderna do empresário, no âmbito de dívidas de perto de mil milhões de euros às três instituições.

Na acção entrada no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, o empresário madeirense faz referência a “um princípio de acordo, que teve expressão num documento produzido pelo Novo Banco e que mereceu, no essencial, o consenso do comendador e dos bancos, tendo constituído a base do acordo a formalizar, mas que não chegou a concretizar-se porque, depois de ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a actos de gestão na Caixa Geral de Depósitos, passou a ser um “alvo a abater”.

Na CPI, destinada a apurar a responsabilidade de grandes devedores da CGD, foram polémicas as declarações de Berardo, como quando afirmou: “Eu pessoalmente não tenho dívidas, agora eu tenho tentado ajudar...”.

Ao longo do processo agora apresentado, e segundo a mesma fonte, o empresário madeirense alude ainda à existência de “um plano mais completo”, coordenado entre os bancos e os Ministérios da Cultura, da Justiça e das Finanças, um “conluio” com o objectivo de “se apoderarem” da sua arte.

Joe Berardo é visado num processo que investiga os créditos atribuídos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em causa estão crimes de fraude, burla e abuso de confiança.

Nesse âmbito, o empresário foi detido em Julho de 2021, saindo em liberdade após pagamento de caução.

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