Veneza goes gaga com os americanos: A Star is Born tem estreia mundial no Lido

A estreia de Bradley Cooper como realizador e de Lady Gaga como actriz terá estreia mundial, fora de competição.

Bradley Cooper, Nasce uma estrela, concerto de rock
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A Star is Born inclui canções originais escritas por Cooper e Gaga, que os dois interpretam “live”.
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Veneza já anunciara como abertura First Man, de Damien Chazelle, sobre Neil Armstrong, com Ryan Goslin

A Star is Born, a estreia de Bradley Cooper como realizador (ele é o actor de American Sniper, de Clint Eastwood, ou de American Hustle) e de Lady Gaga como actriz numa longa-metragem de ficção terá estreia mundial, fora de competição, na 75ª edição de Veneza – chegará aos cinemas a 5 de Outubro. É uma nova versão de uma história de ascensão e queda, ou a história do choque de dois percursos, um de ascensão e outro de queda, que já deu filmes em 1937 (Janet Gaynor e Fredric March, dirigidos por William Wellman, a versão mais "pura"), 1954 (Judy Garland e James Mason dirigidos por George Cukor, a versão mais dilacerada) e 1976 (Barbra Sterisand e Kris Kristoferson dirigidos por Frank Pierson – considerada a pior versão, mas tinha uma canção chamada Evergreen...). Agora Cooper, ele próprio, interpreta um músico, Jacskon Maine, que descobre e incentiva Ally (Gaga), artista em busca de afirmação, por quem se apaixona – e, claro, a carreira dela vai subir em flecha e os demónios dele vão boicotar o amor. A Star is Born inclui canções originais escritas por Cooper e Gaga, que os dois interpretam “live”.

A semana passada o filme foi mostrado aos exibidores em Los Angeles, numa sessão apresentada pelo próprio realizador. A imprensa norte-americana dá conta de grandes entusiasmos, que começam a anunciar Óscares por todo o lado e bilheteiras igualmente explosivas. Terão vindo mesmo aplausos de Barbra Streisand, caucionando uma história eterna que se adequa a todas as estações.

E assim Veneza começa a mostrar que a próxima edição jogará forte, sem tempo para brincadeiras, na presença americana. O final do Verão e o Lido passaram a ter significado para os lançamentos de Hollywood, mais do que Fevereiro (Berlim) e Maio (Cannes), juntando-se a isso uma habilidade – justiça seja feita ao director artístico Alberto Barbera – para identificar filmes de prestígio que não estejam fechados na marca “filmes de festival”. Foi Barbera, regressado à direcção de Veneza em 2012, que ali colocou Gravity, Birdman, La La Land, Hacksaw Ridge, Spotlight, Arrival ou Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e o Leão de Ouro do ano passado, The Shape of Water, todos filmes oscarizados.

Veneza já anunciara como abertura First Man, de Damien Chazelle, sobre Neil Armstrong (Ryan Gosling) e o seu grande passo para a Humanidade – o regresso do realizador a Veneza dois anos depois de La La Land, que foi filme de abertura nessa edição. Esta semana será anunciada a programação. Espera-se que por lá figurem Roma, de Alfonso Cuaron (que em 2013 apresentou Gravity e que chefiou o júri em 2016), o novo de Yorgos Lanthimos, The Favourite, com Emma Stone e Rachel Weisz ou o documentário sobre Orson Welles e The Other Side Of The Wind, que foi retirado de Cannes devido ao imbróglio Netflix – tem sido notado: foi Barbera quem primeiro decidiu colocar uma produção Netflix em competição num dos grandes festivais de cinema, Beasts of No Nation, em 2015 (e valeu o prémio Marcello Mastroianni ao jovem actor Abraham Attah). Por isso para os americanos, com Alberto Barbera, director de festival, a star is born.