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Os vinhos do barro: ânforas, talhas e outras argilas

23 de abril de 2021
18:00

A fermentação e estágio de vinhos em ânforas de barro remonta, pelo menos, ao império romano e subsiste em alguns pólos vitivinícolas do continente europeu. Em Portugal, o Alentejo tem sido o grande guardião desta tradição com mais de dois mil anos e que se encontra profundamente enraizada nas populações locais. Aliás, se prevaleceu até à data, foi precisamente pela vontade das gentes das aldeias e vilas alentejanas, que nas suas casas particulares mantiveram talhas de barro, grandes e pequenas, e anualmente, comprando uvas ou colhendo nas vinhas dos viticultores vizinhos e com autorização destes, os cachos que ficam nas videiras depois da vindima (o chamado “rabisco”), continuaram a fazer em casa o vinho para consumo próprio. Na última década, sobretudo, vários produtores do Alentejo viram no “regresso à talha” uma forma de diferenciação, através de vinhos de nicho, cheios de carácter, reforçado, na grande maioria dos casos, pela utilização de vinhas velhas. O sucesso foi de tal ordem que justificou a criação de uma designação específica na denominação de origem, Vinho de Talha Alentejo, sujeita a regras e certificação, no sentido de preservar e potenciar a tradição. A notoriedade dos “talha” alentejanos motivou igualmente produtores de outras regiões a utilizar recipientes de barro, antigos e modernos, para fermentar e/ou estagiar alguns vinhos especiais. Nesta prova exclusiva do Portugal à Prova, provamos os vinhos Titan of Douro Estágio em Barro tinto 2018, Art. Terra Ânfora tinto 2020, Bojador Vinho de Talha tinto 2020 e Mamoré de Borba Vinho de Talha Moreto tinto 2019.

  • Prova por
  • Luís Lopes

    Luís Lopes

    Jornalista, fundador e director da revista Grandes Escolhas

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