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Encruzado, uva misteriosa e fascinante

24 de abril de 2021
18:00

Quando se fala de vinhos brancos do Dão, invariavelmente, a casta Encruzado entra na conversa. Nas vinhas e adegas dos produtores, nas mesas dos apreciadores, a variedade Encruzado é rainha, encarada como a uva branca mais distintiva, mais identitária e mais nobre da região do Dão. Parece que a conhecemos desde sempre. E, no entanto, ela é, tudo o indica, a uva branca portuguesa de origem mais recente. A sua proveniência é misteriosa, não se sabe bem como surgiu, e o primeiro vinho elaborado exclusivamente com Encruzado chegou ao mercado e aos nossos copos há menos de três décadas. Não é uma uva fácil nem cativa ao primeiro encontro. Frequentemente, os vinhos jovens de Encruzado são fechados, austeros, pouco expressivos, com a fruta escondida. É preciso saber lidar com ela, trabalhá-la bem nas cubas ou nas barricas, dar-lhe tempo na garrafa. Quando bem tratada, porém, a Encruzado, sozinha ou na companhia de outras variedades regionais, oferece-nos brancos inigualáveis, vinhos encantadores na sua complexidade, na sua crocância, na sua precisão, elegância, frescura e, acima de tudo, longevidade. São brancos de futuro, vinhos que desafiam convenções e preconceitos e que podemos guardar na nossa garrafeira com a segurança de que o tempo lhes vai trazer mais finura, intensidade e classe. É assim a misteriosa e fascinante Encruzado. Nesta prova exclusiva do Portugal à Prova, provamos os vinhos Quinta dos Roques Encruzado branco 2019, Casa de Mouraz Encruzado branco 2018, Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado branco 2016 e Ribeiro Santo Vinha da Neve Encruzado branco 2018.

  • Prova por
  • Manuel Carvalho

    Manuel Carvalho

    Director do Público

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