Gestão “ruinosa” da CGD? “Para o PSD não há intocáveis”

Sociais-democratas atacam bloquistas por terem avançado com pedido de exoneração de Carlos Costa.

Leitão Amaro apela a todos os partidos para que se foquem “num escrutínio sério” sobre o que se passou na CGD
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Leitão Amaro apela a todos os partidos para que se foquem “num escrutínio sério” sobre o que se passou na CGD Nuno Ferreira Santos

O deputado social-democrata António Leitão Amaro garantiu que “para o PSD não há intocáveis” no que toca ao apuramento de responsabilidades que será feito durante a comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em declarações aos jornalistas no Parlamento, criticou ainda os bloquistas por estarem a pedir a exoneração do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, antes de aquela comissão chegar a conclusões: “Esta acção do BE é um muito mau serviço à comissão”, disse.

Leitão Amaro lembrou que a comissão se debruçará sobre a gestão do banco, “em muitos momentos ruinosa”, sobretudo “entre 2005 e 2010”, e garantiu que os sociais-democratas não pouparão ninguém: “Para o PSD não há intocáveis”, afirmou, incluindo todos “os que tenham estado envolvidos” no que aconteceu, “administração ou direcção de risco”, “auditores, fiscalização”, “supervisores financeiros” e “governantes”. “Não há ninguém dos responsáveis que seja intocável, todos os que tenham estado envolvidos estão sujeitos a escrutínio”, afirmou, assegurando que todos os que tiverem de o ser “serão responsabilizados”.

O que mereceu duras críticas de Leitão Amaro foi o pedido de exoneração de Carlos Costa feito pelo BE: “Se o Parlamento se juntou para iniciar uma comissão de inquérito que vai apurar responsabilidades e retirar conclusões, o que o BE fez foi, antes de o escrutínio se iniciar, antes de a fiscalização parlamentar se iniciar, escolher selectivamente um responsável particular, quem sabe para tentar disfarçar a responsabilidade de outros, querer desvalorizar a comissão de inquérito, não sei…”, admitiu o deputado, apelando a todos os partidos para que “se foquem não em conclusões antecipadas, mas num escrutínio sério”.

“O Parlamento já o conseguiu fazer noutras ocasiões e podemos repeti-lo, não há ninguém que esteja imune e seja intocável no escrutínio. Ninguém. Todos os que forem responsáveis devem ser avaliados, analisados e, depois, as conclusões retiradas. Fazê-lo antes de a comissão de inquérito se iniciar, fazer essa responsabilização no plano parlamentar é, simplesmente, um desrespeito e um mau serviço à comissão de inquérito. O PSD apela a que os partidos não entrem por esse caminho”, defendeu o social-democrata.

Leitão Amaro recusou, por isso, tecer qualquer comentário sobre Carlos Costa em particular: “Não vamos fazer nenhum juízo sobre o actual governador [do Banco de Portugal] Carlos Costa, ou sobre o anterior governador, que estava em funções no tempo em que grande parte daqueles actos de gestão ruinosa sucederam, Vítor Constâncio”, declarou, acrescentando que também não tecerá comentários sobre os administradores que passaram pelo banco.

“Não o vamos fazer, porque estaríamos a fazer exactamente o contrário do que é suposto numa comissão de inquérito”, justificou, insistindo que primeiro vem a comissão de inquérito e, depois, as conclusões.

Na segunda-feira, o BE pediu ao Governo para exonerar Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal por este não poder ser escrutinado, neste momento, pela sua actuação enquanto administrador da CGD, durante um período em que foram concedidos créditos ruinosos.

No mesmo dia, o Banco de Portugal enviou um comunicado no qual informava que Carlos Costa pediu "escusa" de todas as deliberações do regulador no que diz respeito às decisões que serão tomadas na sequência da auditoria da Ernst&Young à CGD.