A tecnologia que este ano entrou na nossa vida

Telemóveis, consolas, colunas inteligentes – eis alguns dos aparelhos que marcaram 2017. E que dão um vislumbre sobre quem somos.

Com cada aparelho que compramos, há mais tecnologia à nossa volta
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Com cada aparelho que compramos, há mais tecnologia à nossa volta Steve Marcus/reuters

Há muito que um telemóvel não é só um telefone sem fios. A miríade de aparelhos electrónicos que são lançados todos os anos não são apenas ferramentas utilitárias. Mudam rotinas, criam necessidades, são símbolos de sucesso, ajudam a construir estilos de vida, e trazem tecnologias sofisticadas – como a inteligência artificial – para momentos banais do quotidiano. Uma consola pode servir para recordar a juventude e uma fechadura é um novo serviço ao cliente. Estes aparelhos são itens possíveis numa lista de compras – mas também dizem algo sobre o mundo em que vivemos.

Colunas falantes

As assistentes são virtuais, mas têm uma forma física – a de pequenas colunas capazes de responder a perguntas, de se ligarem a serviços online e, em alguns casos, a outros aparelhos domésticos. São uma das tendências recentes na electrónica de consumo e as grandes empresas de tecnologias, cuja presença se sente em cada vez mais aspectos do quotidiano, estão a apostar nestes aparelhos para levar as suas tecnologias de inteligência artificial aos (poucos) momentos do dia-a-dia a que os telemóveis ainda não tinham chegado: é possível perguntar pelo trânsito enquanto se toma o pequeno-almoço, fazer encomendas online enquanto se prepara o jantar e fazer perguntas sobre a agenda do dia seguinte antes de ir para a cama. E também servem para ouvir música.

A Amazon lançou este ano três novos modelos das suas colunas: uma nova geração da Echo, que permite a interacção através de comandos de voz; a Echo Plus, que pode ainda ser ligada a outros dispositivos em casa, como lâmpadas inteligentes; e o pequeno Echo Spot, que se assemelha a um despertador e tem um pequeno ecrã de 2,5 polegadas. Todas têm lá dentro a tecnologia da assistente virtual Alexa.

De forma semelhante ao que acontece nos smartphones, para os quais qualquer pessoa ou empresa pode desenvolver uma aplicação, é possível criar para a Alexa aquilo a que a Amazon chama skills (“competências”). Na prática, são aplicações de voz, que podem ser activadas para os aparelhos com a Alexa. Uma skill criada pela BBC, por exemplo, dá ao utilizador os principais títulos do dia. Há muitas mais.

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Uma das mais recentes colunas Echo, da Amazon Shannon Stapleton/Reuters

Este mês, a empresa anunciou que ia alargar a venda da gama Echo a mais países, entre os quais Portugal (onde poderiam ser usados com comandos de voz em inglês). Mas nas vésperas do Natal ainda não era possível encomendar os aparelhos, cujos novos modelos custam no site da Amazon entre 80 e 150 dólares.

Já a Microsoft decidiu este ano entrar na corrida, numa parceria com a fabricante de equipamentos de som Harman Kardon. A coluna, chamada Invoke, é vendida apenas nos EUA e está equipada com a assistente Cortana (os nomes para estes sistemas tendem a ser femininos). O Google, por seu lado, tem as colunas inteligentes Home, com modelos de de diferentes tamanhos (que também não estão disponíveis para venda em Portugal). A Apple anunciou este ano a Homepod, com a assistente Siri, que deverá ser lançada em 2018.

Maiores até no preço

A Samsung, a empresa que mais smartphones vende no mundo, tinha este ano a missão de recuperar do embaraço de um telemóvel que se incendiava sozinho e que chegou a ser proibido nas cabines dos aviões.

Em Março, apresentou os novos topo de gama, os Galaxy S8 e o S8+ (é agora frequente os modelos virem aos pares, com um deles a ser uma versão ampliada do outro). Os ecrãs, de 5,8 e 6,2 polegadas ocupam quase todo o espaço frontal dos aparelhos, uma característica em que os fabricantes têm apostado para tentar atrair consumidores. Os novos telemóveis trazem a Bixby, uma assistente digital com que a Samsung quer transformar o smartphone num controlo remoto para a casa do futuro, em que muitos electrodomésticos estarão ligados à Internet. E custam 820 e 920 euros, se não forem comprados sem um contrato com um operador ou desconto do retalhista. A multinacional sul-coreana lançou ainda o Galaxy Note 8, um telemóvel de ecrã grande e para ser usado com uma caneta (ou stylus), e que também não tem um preço pequeno: 1020 euros.

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Os Galaxy S8 e S8+, lançados pela Samsung Kim Hong-Ji/Reuters

A Apple, por seu lado, apresentou três novos modelos. Os iPhone 8 e 8+ são essencialmente versões melhoradas dos antecessores. As maiores novidades ficaram reservadas para o novo topo de gama, o iPhone X, no qual, pela primeira vez, a Apple prescinde do botão físico, cujas funcionalidades (como voltar ao ecrã inicial ou ver as aplicações abertas) são substituídas por gestos no ecrã. O telemóvel tem ainda tecnologia de reconhecimento facial, que é capaz de identificar o rosto do utilizador mesmo no escuro, graças a uma câmara de infravermelhos. É também o mais caro de sempre: os preços começam nos 1179 euros, mais do que o computador mais barato da marca.

Novidade e nostalgia

A mais recente consola doméstica da Nintendo, a Switch, vendeu cerca de dez milhões de unidades desde que foi lançada, em Março. É um sucesso, especialmente se comparado com o desaire da antecessora Wii U.

A Switch (que custa 330 euros) é um híbrido: o jogador pode começar um jogo com a consola ligada a uma televisão ou outro ecrã, e continuar em modo portátil, graças ao ecrã de seis polegadas no qual podem ser encaixados dois comandos, formando-se assim uma espécie de consola portátil. Estes comandos, chamados Joy Con, são uma das novidades. Quando a consola está ligada à televisão, podem ser usados em conjunto num formato de comando tradicional. Mas também podem ser manuseados um em cada mão, ou partilhados entre dois jogadores, o que abre portas a novas mecânicas de jogo, algo que é apanágio da Nintendo desde que lançou a primeira Wii, em 2006.

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A Switch pode ser ligada a um ecrã ou jogada em modo portátil Toru Hanai/Reuters

A empresa japonesa decidiu também voltar a apostar no mercado da nostalgia. Depois de comercializar em 2016 uma versão da clássica Nintendo Entertainment System (ou NES, criada originalmente na década de 1980), este ano foi a vez de uma reedição da Super NES (ou SNES, um sucesso da década de 1990). Trata-se de uma versão miniaturizada, com 21 jogos incorporados, incluíndo alguns títulos clássicos. O preço é de 90 euros.

A Microsoft também se apresentou este ano com um novo modelo da sua consola. A Xbox One X é mais pequena do que as anteriores e tem melhores especificações técnicas. Custa 500 euros e é um aparelho para quem leva videojogos a sério. Já a Sony continua no mercado com as novidades apresentadas em 2016: uma nova versão da PlayStation 4 e uns óculos de realidade virtual, uma tecnologia que está a ter um ressurgimento e que muitas empresas se têm esforçado por promover.

Dar as chaves à Amazon

Só está disponível nos EUA, mas é um sinal dos tempos: uma fechadura inteligente criada pela Amazon permite aos funcionários de entregas entrarem em casa dos clientes e depositarem a encomenda mesmo quando estes estão fora.

Através de uma aplicação, é possível ver quem está à porta e abri-la à distância. Também é possível criar códigos temporários de abertura, para que serviços (como limpezas) ou visitas possam entrar em casa. Porém, os funcionários da Amazon podem usar uma aplicação para abrir a porta sem que seja necessária qualquer intervenção do cliente. Este é notificado de que a entrega está a ser feita e pode acompanhar o processo através da câmara, ou revê-lo mais tarde. O funcionário só pode seguir para a próxima entrega quando tiver saído e trancado a porta.

A fechadura funciona ligada a uma câmara. O sistema chama-se Amazon Key, custa 250 dólares e só pode ser comprado pelos utilizadores do serviço Amazon Prime, que pagam uma assinatura para terem entregas mais rápidas e acesso a conteúdos como música e filmes. Não é tanto um aparelho, como um serviço ao utilizador, pensado por uma empresa que se tem esforçado por aproximar a venda online da sensação de gratificação instantânea de uma compra em loja. Os armazéns – cujas condições de trabalho já motivaram documentários e greves – são parcialmente robotizados para acelerar o processo de envio, e a empresa já fez algumas experiências de entregas com drones.