Samsung diz que aprendeu com os erros e apresenta um telemóvel mais inteligente

O novo Galaxy S8 tem um assistente que se adapta à linguagem do utilizador, uma doca que permite transformá-lo num computador, e uma aplicação para controlar aparelhos domésticos.

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DJ Koh diz que a marca aprendeu com os erros Reuters/BRENDAN MCDERMID
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A empresa quer recuperar a imagem após o fiasco do Note 7 Reuters/BRENDAN MCDERMID
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Os dois modelos chegam no final de Abril Reuters/BRENDAN MCDERMID

Acabou-se a especulação em torno do Samsung Galaxy S8. A fabricante sul-coreana desembrulhou nesta quarta-feira o seu novo telemóvel topo de gama numa sessão transmitida em directo de Nova Iorque. O foco foi para as novas funcionalidades de assistente pessoal virtual do Galaxy S8 e para a capacidade de o utilizar para controlar vários aparelhos electrónicos com ligação à Internet.

“Queremos mostrar que somos capazes de aprender com os nossos erros. É assim que novas portas se abrem e o impossível se torna possível”, frisou DJ Koh, o presidente da secção de comunicação móvel da Samsung em directo de Nova Iorque.

Confirmam-se várias das previsões que circularam na Internet: o novo aparelho estará disponível em dois modelos, o S8 e o S8+, com ecrãs de 5,8 e 6,2 polegadas que ocupam quase todo o espaço frontal do aparelho.

Porém, a Samsung quer que o Galaxy S8 seja utilizado como mais do que um telemóvel. “Uma das ideias é ligar-se facilmente a outros dispositivos e até permitir que se deixe o computador em casa”, tinha dito Rory O’Neil, vice-presidente de marketing da Samsung, numa pré-apresentação para jornalistas. “O novo modelo puxa os limites do que um telemóvel pode ser.”

O telemóvel permite operar aparelhos conectados à distância, do aspirador robô a circular pela sala, à luminosidade do apartamento ou a temperatura do frigorífico, através de uma nova aplicação chamada Samsung Connect.

A opção de apresentação do novo topo de gama como parte de um ecossistema de outros aparelhos da marca vem numa altura em que as vendas de smartphones estão a desacelerar (o crescimento do mercado é cada vez menor, com 2016 a encerrar com valores apenas 2,3% acima dos de 2015, segundo a analista de mercado IDC).

A fabricante sul-coreana continua a liderar o mercado, mas sofreu em 2016 uma ligeira diminuição da quota de mercado, de 22,3% para 21,2%, segundo o analista de mercado IDC. Porém, não foi a Apple (que ocupa o segundo lugar) a roubar mercado à Samsung. São antes marcas como as chinesas Huawei e Oppo estão a crescer, em parte por oferecerem portefólios cada vez maiores de aparelhos a baixo preço.

O fiasco com o Note 7 contribuiu para que o gigante sul-coreano tenha colocado no mercado menos 4,2 milhões de unidades de smartphones que no mesmo período do ano anterior (menos 3% do que em 2015). O novo modelo da gama chega também após o possível herdeiro da presidência do grupo Samsung, Jay Y. Lee, ter sido detido por suspeitas de estar envolvido no escândalo de corrupção na Coreia do Sul que levou este mês à destituição da Presidente Park Geun-hye. Segundo as acusações, Jay Y. Lee terá subornado um amigo da então Presidente para conseguir o apoio do Governo nas complexas questões da sucessão.

Este aparelho pode ser crucial no futuro da Samsung,” comentou o analista da IDC Francisco Jeronimo. "Se o Galaxy S8 e o S8+ não conseguirem alterar o destino da Samsung neste mercado difícil, nada conseguirá.”

O Galaxy S8 traz algumas melhorias nas especificações técnicas: integra um processador com oito núcleos, tem 4GB de memória RAM e uma capacidade de armazenamento de 64GB. A câmara traseira vai continuar com os mesmos 12 megapixeis do Galaxy S7, mas a frontal passa a oferecer oito megapixeis.

Como já anunciado, o telemóvel vem com o primeiro assistente de voz da Samsung, o Bixby, que será capaz de se adaptar à forma de falar do utilizador, ainda que esteja limitado a apenas duas línguas. Numa fase inicial, estará presente em várias das aplicações do Galaxy S8, como a câmara, o serviço de mensagens e a galeria de imagens. É a resposta da Samsung a outros assistentes já no mercado, como é o caso da Siri (da Apple) e do Google Now (desenvolvido pelo Google e que funciona nos sistemas Android).

“Embora o Bixby só consiga utilizar inglês ou coreano, não é preciso ser-se fluente nessas línguas,” tinha dito Thomas Ko, o vice-director da Samsung Pay, em conversa com o PÚBLICO. “O Bixby usa um sistema de deep learning [aprendizagem através de inteligência artificial] para se adaptar à forma de falar do utilizador. Se não tiver a certeza sobre um pedido, é capaz de pedir ao utilizador para o confirmar e, depois, passa a reconhecer a forma do utilizador fazer esse pedido.”

A Samsung apresentou também a estação DeX: um aparelho no qual o telemóvel pode ser encaixado e que o transforma num computador básico quando conectado a um ecrã. A empresa sul-coreana trabalhou em parceria com a Microsoft para criar aplicações que podem ser usadas em simultâneo  e que se adaptam aos dois modos de utilização.

Os novos modelos vão estar disponíveis na Europa a partir de 28 de Abril. O Galaxy S8 vai custar 819,90 euros, e o S8+ custará 919,90 euros.

O PÚBLICO esteve numa pré-apresentação do Galaxy S8, em Londres, a convite da Samsung.