O Primavera Sound quer crescer. O apoio da Câmara do Porto triplicou

Festival tem mais um dia de concertos, duplicou o orçamento e aumentou recinto. Depois de retirar apoio de 400 mil euros ao festival Mimo, autarquia aumenta em 450 mil euros o apoio ao Primavera.

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Em 2014, o rapper de Compton, Kendrick Lamar, esteve no Primavera Sound Porto. Regressa este ano. Paulo Pimenta

Desde 2022 que já se sabia que o Primavera Sound Porto deste ano não contava com o patrocinador que lhe deu parte do nome em edições anteriores. Ainda assim, num ano em que o festival assinala a sua décima edição com mais um dia de concertos e com um recinto no Parque da Cidade do Porto aumentado, o evento que se realiza de 7 a 10 de Junho tem praticamente o dobro do orçamento, que saltou de sete milhões de euros para 13 milhões de euros.

Também neste ano, a edição portuense do Primavera Sound conta com um apoio da Câmara Municipal do Porto (CMP), que triplicou em relação ao ano passado. Em 2022, a verba atribuída pela autarquia rondava 200 mil euros, referiu o presidente do município, Rui Moreira, numa conferência de impressa que decorreu nesta terça-feira, na Casa do Roseiral, no Porto.

Este ano atingirá 650 mil euros, disse o autarca, aos jornalistas, sendo que o montante tem ainda de ser votado em reunião de executivo, no qual o movimento do presidente conta com sete dos 13 assentos. “Notem que não vemos aqui o nome de um patrocinador principal. Nós valorizamos exactamente isso”, apontou, sobre a importância de “manter a existência do festival”. Moreira estima que o impacto económico do festival no Porto seja o equivalente a três vezes o orçamento do Primavera Sound.

O anúncio surge uma semana depois de a CMP ter rompido com o Festival Mimo, que decorreu pela primeira vez na cidade em 2022, acusando, sem detalhar, a organização de “incumprimento” com “as normas que estavam previamente estabelecidas”. O apoio da autarquia ao Mimo, respondeu também Rui Moreira, nesta terça-feira, rondava 400 mil euros. Quando cortou com o festival que assim regressa a Amarante e cujos concertos tinham entrada gratuita, a Câmara do Porto explicava que pretendia investir um valor semelhante noutros eventos culturais da cidade.

Ajuda, mas

Para o director da edição portuense do Primavera Sound, José Barreiros, o apoio da autarquia tem o seu peso. Mas acaba por não cobrir o valor que a operadora de telecomunicações Nos pagava para ter o nome associado ao festival. “Claro que o apoio da autarquia é muito importante. Simplesmente, não resolve todos os problemas que temos. Necessitamos de apoio público, mas também privado”, diz.

Ou seja, a subida da verba atribuída pelo município ajuda, mas não é tudo. “De 650 mil euros para 13 milhões [de euros], é fazer as contas, como diria o outro”, regista José Barreiros, ao lado director do Primavera Sound Barcelona (a casa-mãe do festival), Alfonso Lanza. “Também nos compete fazer o nosso trabalho, nomeadamente arranjar outro tipo de apoios e parcerias que viabilizem o festival, quer a edição de 2023, quer as futuras”, acrescenta Barreiros. Ainda sobre eventuais patrocínios, haverá novidades “nos próximos tempos”, diz.

Além da questão orçamental, o festival passa de três para quatro dias e de um cartaz com 60 artistas para um com 76 nomes. O recinto deverá contar com mais seis hectares de área em relação a anos anteriores e, assim, acomodar entre 40 a 45 mil pessoas por dia, um número que se compara à média 35 mil pessoas de 2022. Estas alterações fazem parte de uma “lógica de crescimento” do Primavera, mesmo num “clima de consumo que não é muito favorável”, avalia o director.

O passe geral para a edição portuguesa do franchise que está presente em três continentes e seis países custa 170 euros. O bilhete diário custa 70 euros. Ao Parque da Cidade do Porto regressam nomes como Kendrick Lamar, Rosalía ou Blur, que contam ainda com a companhia de Pet Shop Boys, New Order ou Halsey, tudo artistas que circulam também pelas edições de Madrid e Barcelona do Primavera.

Sobre a questão dos patrocinadores, Rui Moreira deixou ainda uma nota sobre os desequilíbrios do país e sobre a questão da “concentração das agências publicitárias em Lisboa”. O autarca atribui a esse factor - “e não necessariamente por algum centralismo” - a maior facilidade com que os festivais “no Sul” conseguem “concentrar os apoios das marcas e um festival como este tem uma enorme dificuldade”. E prosseguiu: “Chamo a atenção à indústria nortenha que trabalha com essas agências. De vez em quando é preciso explicar que alguns dos consumidores dos seus produtos também vivem cá”.

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