Em 2022, Portugal terá de começar a restituir artefactos às ex-colónias. “Não há volta a dar”

A descolonização da nossa sociedade será um dos temas a marcarem a agenda cultural em 2022, a par das alterações climáticas e da identidade de género, antecipa a artista Ângela Ferreira. Não, o sector não aguenta outro ano de cancelamentos e adiamentos. Sim, seremos muitos mais a dizer todes, em vez de todas e todos.

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Se a pandemia não ficar controlada, 2022 vai ser mais um ano desastroso para a Cultura, diz a artista Ângela Ferreira, preocupada pelo facto de os investimentos previstos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) passarem ao lado da necessidade de apoiar a criação artística. “Se não houver conteúdos, os museus não existem”, critica. Pioneira no movimento que insiste em chamar as questões do colonialismo português às artes visuais, diz-se segura de que a restituição dos artefactos e objectos retirados aos países africanos durante o colonialismo marcará inapelavelmente a agenda cultural em 2022. “Não há como andar para trás”, avisa, numa entrevista feita dias antes de ter estalado a contestação ao processo de selecção do artista que vai representar Portugal na Bienal de Arte de Veneza.

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