Michel Desmurget: “O tempo de ecrã de crianças até aos seis anos devia ser nenhum. Zero”

O ser humano está a regredir em termos cognitivos e de capacidades intelectuais, alerta o neurocientista francês no livro A Fábrica de Cretinos Digitais. Hoje as pessoas estão mais disponíveis para ler sobre aquilo que já sentem na pele: o impacto dos ecrãs na saúde física e mental das crianças.

Foto
Uma criança de três anos pode passar até três horas diárias em frente de um ecrã e o impacto em termos de saúde física e mental é enorme Mayte Torres/Getty Images

Do outro lado do ecrã — a entrevista com o PÚBLICO é feita por Skype —, Michel Desmurget zanga-se, o seu corpo eriça-se, os braços abrem-se e da sua boca sai frequentemente a palavra “bullshit” para mostrar como a indústria engana os consumidores, como engana a comunicação social, que é capaz de fazer parangonas com títulos que dizem que os videojogos são bons para o desenvolvimento das crianças. “It’s bullshit! Pardon my french”, diz o francês, rindo para se acalmar. O autor de A Fábrica de Cretinos Digitais, publicado recentemente em Portugal, zanga-se quando fala de empresas como o Facebook, acusando-as de serem gananciosas e de não quererem saber das pessoas, sobretudo das crianças que estão a ser prejudicadas pelo uso intensivo dos ecrãs.

Sugerir correcção
Ler 15 comentários