EUA acusam China de esconder cientista procurada pelo FBI no consulado de São Francisco

Tang Juan terá mentido ao FBI sobre as suas ligações ao Exército chinês para conseguir um visto de residência. Autoridades dizem que a bióloga prentendia roubar informação de instituições americanas.

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EUA deram 72 horas para a China encerrar o seu consulado em Houston, no Texas ADREES LATIF/Reuters

Após um ultimato a Pequim para encerrar o seu consulado em Houston, os Estados Unidos revelaram que estão à procura de uma cientista chinesa acusada de ter enganado o FBI para conseguir um visto de residência, que dizem poder estar escondida no consulado chinês em São Francisco.

De acordo com os documentos de um tribunal distrital daquela cidade do estado da Califórnia, citados pela Reuters, fotografias que mostram Tang Juan, especialista em biologia que trabalhou na Universidade da Califórnia, na cidade de Davis,​ com um uniforme do Exército de Libertação do Povo. O FBI descobriu ainda que a bióloga trabalhou numa universidade militar na China, informação que escondeu das autoridades quando pediu um visto para trabalhar nos Estados Unidos e que tentou negar num interrogatório no dia 20 de Junho. 

Por isso, os Estados Unidos suspeitam que Tang Juan, juntamente com outros cientistas chineses, esteja no país com o objectivo de “copiar ou roubar informações de instituições americanas, sob a direcção de superiores militares na China”.

Dias depois de ser interrogada pelo FBI, Tang Juan foi acusada de fraude para a obtenção do visto, no entanto, desapareceu dos radares das autoridades norte-americanas, que acreditam que a cientista possa estar escondida no consulado em São Francisco. Contudo, a lei não permite que entrem numa embaixada ou num consulado de um país estrangeiro.

Nas últimas semanas, houve casos semelhantes ao de Tang Juan. Conta a CNN que, no início de Junho, Xin Wang, um investigador na área das doenças cardiovasculares, foi detido no Aeroporto Internacional de Los Angeles, quando tentava viajar para Tianjin, na China. No início da semana, Chen Song, uma investigadora chinesa na área de neurologia que trabalhava na Universidade de Stanford, foi detida pelas autoridades da Califórnia, acusada de prestar falsas declarações para a obtenção de visto de residência.

O incidente relacionado com o consulado de São Francisco foi revelado pouco depois de os Estados Unido terem dado 72 horas à China para encerrar o seu consulado em Houston, no Texas, uma decisão justificada com a necessidade de proteger a “propriedade intelectual” norte-americana. No Twitter, o senador republicano Marco Rubio, presidente do Comité de Inteligência no Senado, disse que o consulado de Houston é “o nó central na vasta rede de espiões do Partido Comunista”.

Nos Estados Unidos, além da embaixada em Washington, a China tem cinco consulados. Na quarta-feira, o Presidente Donald Trump admitiu que “é sempre possível” fechar mais alguns e insinuou que, em Houston, “estavam a queimar documentos e papéis”, daí o misterioso incêndio no consulado.

A China, pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, negou as acusações norte-americanas, classificando-as como “maliciosas”, e prometeu retaliar contra a decisão “ultrajante” de encerrar o consulado em Houston.

Segundo os analistas ouvidos pela CNN, o consulado norte-americano em Wuhan, onde foi detectado pela primeira vez a SARS-CoV-2, poderá ser encerrado como resposta a Houston. Entretanto, o jornal estatal Global Times criou uma sondagem no Twitter a pedir aos utilizadores que escolham o consulado norte-americano que deveria ser encerrado na China. Hong Kong e Macau, Guangzhou e Chengdu ou “outro” são as opções.

A tensão entre Washington e Pequim tem aumentado substancialmente nos últimos meses, não só devido à troca de acusações sobre a covid-19, mas também devido à guerra comercial em curso entre as duas potências, à situação em Hong Kong, às movimentações no Mar do Sul da China e ao tratamento da minoria muçulmana uigur em Xinjiang.