Trump surpreende ao convidar Putin para os EUA antes das próximas eleições

O Presidente norte-americano, criticado pelas declarações que fez sobre a cimeira com o Presidente russo, planeia um segundo encontro, desta vez em Washington. Kremlin disse que está pronto a discutir o convite.

Trump diz que se enganou nas palavras na conferência de Helsínquia
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Trump diz que se enganou nas palavras na conferência de Helsínquia Reuters/Kevin Lamarque

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o Presidente russo, Vladimir Putin, a visitar os Estados Unidos no Outono, anunciou a Casa Branca. A Rússia está pronta a discutir este convite, diz a agência Interfax, citando o embaixador russo nos EUA Anatoli Antonov.

O convite surge depois de os dois líderes se terem reunido na segunda-feira passada, na Finlândia. Este novo encontro - sobre o qual não se sabe mais nada, a não ser que deverá ser formalizado pelo conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton - pode acontecer mesmo antes das eleições para o Congresso, em Novembro.

O anúncio apanhou de surpresa o responsável pelas agências de serviços secretos, Dan Coats, catapultado para a ribalta porque ao lado de Putin, Trump pareceu claramente desvalorizar a avaliação dos espiões norte-americanos de que houve interferência russa nas eleições de 2016, e que continua a haver risco de nova interferência.. “Repita lá isso”, disse Coats quando a jornalista da NBC Andrea Mitchell lhe deu a notícia, durante uma entrevista. “Ok”, continuou Coats, rindo-se enquanto respirava fundo. “Vai ser bonito.”

Washington rejeitou uma proposta avançada pelo Presidente Putin para que as autoridades russas pudessem interrogar um ex-embaixador norte-americano em Moscovo, Michael McFaul, em relação ao qual o Kremlin sempre teve muita animosidade. Em troca, Putin permitiria que as autoridades norte-americanas tivessem acesso aos 12 espiões militares russos acusados de interferência nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016 na semana passada, com base na investigação do conselheiro especial Robert Mueller. 

Mas, duas horas depois de a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, ter anunciado esta recusa, revelou no Twitter que seria feito o novo convite a Vladimir Putin.

Trump disse que a cimeira de Helsínquia foi “um grande sucesso”. Mas a sua prestação e declarações na conferência de imprensa com Putin foi muito contestada — surgiram mesmo sugestões de “traição à pátria. Houve grande contestação quanto à sua prestação e declarações – o que levou Trump a desdizer-se e a contradizer-se várias vezes quando ao que pensa sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

“Numa frase fundamental nas minhas declarações, disse a palavra ‘devia’ em vez de ‘não devia’. A frase devia ser ‘não vejo motivos para que NÃO tenha sido a Rússia. Uma espécie de dupla negativa. Acho que isto clarifica as coisas”, afirmou Trump, um dia depois do encontro.

As ondas de choque relativas às afirmações de Trump, que reforçou a negação de Putin de que houve qualquer interferência russa nas eleições dos EUA e relegou para segundo plano a investigação do seu próprio país sobre o caso. Trump preferiu garantir que não houve qualquer “conluio” entre a campanha dele e Moscovo, matéria que está a ser investigada pelo FBI.O Presidente norte-americano nem sequer pediu a extradição dos 12 espiões acusados na semana passada. 

As críticas surgiram até dentro do Partido Republicano. Um dos aliados próximos de Trump, Newt Gingrich,  declarou a prestação de Trump foi “o maior erro” do mandato do Presidente.

O líder russo, por seu lado, garante que a cimeira foi “um sucesso”, mas lamentou que “forças” nos Estados Unidos a queiram  sabotar. “Chegámos a alguns acordos. Claro que temos de ver como as coisas correm daqui para a frente”, disse Putin.

Nada se sabe sobre o que os dois presidentes conversaram - na sala esteve apenas uma tradutora e os dois líderes foram parcos em explicações na conferência de imprensa que deram. O senador democrata Chuck Schumer pediu a Trump que revele o conteúdo da conversa e defendeu que, até que isso aconteça, não deve haver novo encontro entre Trump e Putin.