Passos e Portas poderão ir na lista por Lisboa para disputar votos com Costa

É tempo da dança das cadeiras. Até as listas de candidatos a deputados estarem prontas, o assunto incendeia as hostes partidárias. Tudo no meio da imponderável contabilidade dos lugares elegíveis. Na coligação, as contas a dois são ainda mais difíceis. CDS deve perder eleitos em Viana e Coimbra.

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Pedro Passos Coelho com Paulo Portas no Parlamento (foto de arquivo): um cenário de crise latente DANIEL ROCHA

No partido mais pequeno também se fazem contas e já é quase dado como certo que o CDS perde os dois deputados que elegeu em 2011 em Viana do Castelo e Coimbra.

No puzzle da elaboração das listas, a colocação dos líderes do PSD e do CDS tornam-se ainda mais relevante por mexer com outros dois círculos – Vila Real e Aveiro – que são os seus de origem. Na maioria acredita-se que o primeiro-ministro gostaria de repetir Vila Real (e o convite da distrital nesse sentido já foi lançado), mas assim não poderia ter o vice-primeiro-ministro como número dois.

Como parece ponto assente que o CDS não terá cabeças de lista – nem mesmo para o líder – a hipótese seria Portas ir por Aveiro (o círculo por onde sempre se candidatou) em número 4, o primeiro que cabe ao CDS. Um lugar que alguns consideram pouco digno.

Com estes cenários em cima da mesa, ganha força a hipótese de virem para Lisboa, disputar votos directamente com o líder do PS, António Costa. Mas aí, adverte um deputado da maioria, tem que se resolver o “engarrafamento” de Lisboa. É que, nas legislativas de 2011, o CDS elegeu sete deputados e agora poderá ficar nos quatro. Entre eles estavam o ministro Pedro Mota Soares e Teresa Caeiro, vice-presidentes do partido. Ao que o PÚBLICO apurou, a lista do CDS para Lisboa mantém Teresa Caeiro e Adolfo Mesquita Nunes, secretário de Estado do Turismo, e inclui Mariana Ribeiro Ferreira, que foi presidente do Instituto de Segurança Social, além do próprio Paulo Portas.  

Na maioria, as contas estão a ser feitas numa base conservadora, mas mesmo assim é difícil eleger o quarto deputado (em seis) em Viana do Castelo, o primeiro lugar que coube ao CDS na distribuição que é baseada nos resultados eleitorais de 2011. Os centristas sabem que não conseguem reeleger Abel Baptista, cabeça de lista em 2011, e actual presidente da comissão parlamentar de Educação.

O mesmo vai acontecer em Coimbra, onde o CDS aparece como o quinto da coligação, que é dificilmente elegível. Para cabeça de lista é apontado o nome do ministro Miguel Poiares Maduro (natural da cidade) mas, ao que o PÚBLICO apurou, o líder do PSD não quererá “governamentalizar as listas”. De qualquer forma, há já um outro ministro apontado para Braga: Jorge Moreira da Silva. Natural de Famalicão, o ministro do Ambiente é visto como uma opção para substituir no topo da lista Miguel Macedo, ex-ministro da Administração Interna que se demitiu por causa do escândalo vistos gold, e que poderá não integrar qualquer lista, deixando de ser deputado.

Outro antigo ministro que está a ser falado – mas neste caso para voltar – é Miguel Relvas. Em Santarém está instalada a confusão em torno do ex-governante que alguns queriam ver de novo como cabeça de lista pelo PSD. Filipe Lobo D’Ávila é o candidato mais provável do CDS e deverá garantir a reeleição.

No distrito de Setúbal, a situação parece mais pacífica. O líder da distrital do PSD, Bruno Vitorino, antecipou-se e pediu já há meses que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, voltasse a liderar a lista pelo distrito. Pelo CDS, é certo que o terceiro lugar cabe a Nuno Magalhães, líder parlamentar e também presidente da distrital de Setúbal. Mas a ministra das Finanças é também cobiçada por Viseu por ter uma ligação natural familiar com o distrito.

Quanto ao distrito do Porto, os sociais-democratas deverão manter José Pedro Aguiar-Branco como cabeça de lista. Aí, tal como em Lisboa, já se espera que o CDS também perca deputados. Os centristas foram liderados por José Ribeiro e Castro em 2011, uma das incógnitas para a próxima legislatura.

Às contas dos deputados há que somar ainda as personalidades convidadas para a coligação, algumas das quais com ligações partidárias, embora haja quem não goste destes “pára-quedistas”. Apesar de os nomes para as listas já circularem, ainda está tudo em aberto. As candidaturas só deverão ser aprovadas pelos conselhos nacionais dos partidos em Julho e entregues no Tribunal Constitucional em Agosto.