Pais e Filhos: Rita Costa responde às dúvidas de miúdos e graúdos, agora em livro

O manual reúne mais de 70 especialistas que respondem às perguntas que assolam tanto pais, como filhos. Mas não são respostas definitivas e o objectivo, explica a jornalista, é suscitar ainda outras perguntas em quem lê.

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Entre as dúvidas mais frequentes dos pais estão as questões relacionadas com o comportamento, as birras e a adolescência Unsplash/Austin Pacheco

Com o pacote de ser mãe e pai, vêm as dúvidas e os medos: “Por que faz tantas birras?; como faço para que deixe de estar sempre ao telemóvel; devo dizer-lhe que o avô foi para o céu?; como concilio o teletrabalho com os miúdos em casa?”. Há mais de cinco anos que a jornalista Rita Costa responde a estas e outras dúvidas dos pais na TSF. Agora, Pais e Filhos sai da rádio e chega às livrarias, em forma de manual para esclarecer a dúvidas de pequenos e graúdos.

Será que pais e mães precisam de um manual para lidar com os filhos? Rita Costa acredita que sim, porque “há sempre novos pais” e novas fases da vida com novas perguntas. O que faz no programa diário da TSF é procurar especialistas que respondam às dúvidas que assolam quem é pai e mãe, mas também às perguntas dos mais pequenos. No total, são mais de 70 especialistas reunidos no livro, desde Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas; Augusto Magalhães, oftalmologista pediátrico; Carlos Neto, catedrático e investigador na área da motricidade infantil; Hugo Rodrigues, pediatra; Inês Afonso Marques, psicóloga; Laura Sanches, psicóloga clínica; Mário Cordeiro, pediatra; Paulo Oom, pediatra; Pedro Strecht, pedopsiquiatra; e Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono; entre muitos outros.

Entre as dúvidas mais frequentes dos pais estão as questões relacionadas com o comportamento, as birras e a adolescência, assegura Rita Costa, mas também a saúde e as viroses. Com a pandemia surgiram, claro, novas dúvidas, especialmente relacionadas com o teletrabalho e como o conciliar com os mais pequenos em casa ou com os jogos online. “Tenho sempre perguntas. Muitas vêm de conversas com amigos, com colegas, um comentário qualquer sobre os filhos ou até coisas que os miúdos disseram”, explica Rita Costa, que também é mãe à procura de respostas.

Para o livro Pais e Filhos escolheu as dúvidas mais populares do programa de rádio, desenvolveu um pouco mais as respostas e cruzou opiniões. Mas Rita Costa não quer que as perguntas terminem por ali. O objectivo, garante, é “suscitar outras perguntas”. “A ideia não é dar respostas definitivas, é dar elementos de reflexão que permitam aos pais, e a quem lê, pensar sobre este assunto”, destaca. Com o livro cada pai deve “procurar um equilíbrio” e “construir uma resposta própria”.

Perguntas difíceis

Cada pergunta, tem uma resposta, mesmo que nem sempre seja fácil encontrá-la. A saúde mental das crianças é um dos temas favoritos de Rita Costa, que a “preocupa particularmente”, e tem evoluído muito nos últimos anos. “Será que as crianças estão a ficar mais ansiosas? É uma pergunta difícil. Não sabemos”, exemplifica a jornalista. Na sua opinião, a resposta é “sim”, porque temos “uma vida vivida com mais pressa, os miúdos não brincam na rua”.

O tempo para a brincadeira é precisamente outra das suas preocupações e, por isso, convidou, na sua opinião, “o maior activista dos direitos das crianças actualmente”, Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, para escrever o prefácio do livro. Já o posfácio ficou a cargo do pediatra Paulo Oom.  

Alguns das perguntas favoritas de Rita Costa do livro são as feitas pelos filhos, “sem pudores”, “aquelas que os pais têm vergonha de fazer”. “Já posso tomar a pílula?; porque não gosto de me ver ao espelho?; o meu colega bateu-me, bato-lhe também?” são algumas das perguntas aguçadas dos mais novos. A jornalista exemplifica também  com uma pergunta ouvida frequentemente ao longo do último ano: “Por que é que nunca tens tempo para brincar comigo?” E, em contraponto surge a dúvida dos pais: “Não tenho tempo para brincar com o meu filho. Vamos perder a ligação?”

A resposta às perguntas acima não é de resposta fácil, mas Rita Costa deixa um conselho aos pais: “Defendem os especialistas que devemos arranjar tempo, organizarmo-nos melhor e, por pouco tempo que seja, tentemos estar inteiros.” No fundo, o que importa é estar presente. Se precisar de ajuda, pode sempre consultar o manual Pais e Filhos, mas sem esquecer que é apenas o ponto de partida para a resposta que cada pai deve encontrar para o seu filho.