7 dias, 7 fugas: das árvores às ruínas, ordem para passear por música, imagens e sabores

“Guardiãs” de Santa Maria da Feira abrem caminho a uma semana com amor de mãe, Arruda dos Vinhos na capoeira, Nós, Europeus em Coimbra, O Gajo no Alentejo e Lisboa imersa em lendas ou entretida com uma questão de gosto.

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Cedrus libani, uma das Guardiãs do Castelo da Feira a conhecer numa visita guiada Câmara Municipal de Santa Maria da Feira
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Cabaz preparado pela Padaria Formosa (Porto) para o Dia da Mãe DR
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André Magalhães, da Taberna da Rua das Flores, abre o ciclo O Gosto dos Outros no Centro Cultural de Belém Enric Vives-Rubio
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Coelho desossado, um dos pratos servidos em Arruda dos Vinhos na mostra Carnes de Capoeira Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos
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Fotografia exibida em Nós, Europeus, uma exposição Estação Imagem em Coimbra Rodrigo Cabrita
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João “O Gajo” Morais desconfina em Évora e Setúbal com a sua viola campaniça Jorge Buco
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As Ruínas do Carmo são tela para Lisbon Legends, mais um espectáculo imersivo d'OCubo OCubo

Sábado, 1: ao encontro das Guardiãs do Castelo

A partir de 1 de Maio, sábado passa a ser dia de trabalhar a relação com as árvores – nomeadamente, os espécimes emblemáticos (nalguns casos, seculares) que se abeiram do Castelo de Santa Maria da Feira. Guardiãs do Castelo é um conjunto de quatro visitas guiadas que dão a conhecer características, origens e curiosidades de árvores que “têm muitas histórias para contar e cuja idade é um posto”, sublinha a autarquia. Por entre faias, sequóias, magnólias e muitas outras, descobre-se o “oásis urbano” que ali se ergue, num percurso que começa no parque na cidade e se deixa embelezar pela “paleta de cores e os cheiros primaveris”. O encontro com as “guardiãs” está marcado para as 15h nos dias 1, 8 e 15, e para as 10h no dia 23. A participação é gratuita, mas tem lotação limitada e requer inscrição prévia, que pode ser feita aqui, a partir da terça-feira anterior a cada visita. 

Domingo, 2: celebrar o amor de mãe

Entre passeios e piqueniques, brunches e spas, cinema, flores e vinho, são várias as dicas para adoçar a boca e cuidar de quem cuida de nós. Uma das sugestões vem da Padaria Formosa, uma das mais antigas do Porto, que assinala a data com um Bolo da Mãe. Com “decoração digna de encher o coração de qualquer mãe de orgulho”, a casa centenária apresenta um bolo com “massa fofa e delicada”, distribuída por quatro camadas e recheada com creme de maracujá, mirtilos e framboesas. Em forma de coração, esta edição limitada custa 18€ e está disponível também em formato de cupcake (2,60€ a unidade), para facilitar a logística do transporte ou, quem sabe, encaixar o bolo numa cesta de piquenique – para ir ao encontro deste cenário, a padaria preparou também um cabaz especial (39€). Está tudo à venda na loja até dia 2 de Maio, sendo aconselhada a encomenda antecipada. 

Segunda, 3: O Gosto dos Outros à conversa

Nas “encruzilhadas da história e da antropologia da alimentação” e na senda da declaração de Ferran Adrià de que “a maior rede social do mundo é a comida”, Fortunato da Câmara, jornalista da especialidade, organiza e modera conferências gastronómicas sobre a forma como o nosso gosto, individual e enquanto povo, tem sido moldado e influenciado. Composto por cinco sessões, o ciclo O Gosto dos Outros é servido todas as segundas-feiras de Maio, às 18h30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Para começar, André Magalhães, da Taberna da Rua das Flores, discorre sobre O sabor e o gosto, uma evolução social (dia 3). A próxima paragem será n’As sementes e as plantas viajantes, por Dulce Freire, coordenadora do projecto ReSeed (dia 10). Ao jornalista João Paulo Martins caberá debruçar-se sobre Os vinhos que se moldaram no tempo (dia 17). De líquido amargo a doce sólido falará Fátima Moura, autora do livro Do Cacau ao Chocolate (dia 24). O tema mais doce fica para o fim: Doçaria portuguesa: influenciadora social, pela historiadora Isabel Drumond Braga (dia 31). O bilhete para cada sessão custa 6€; o passe geral, 25€. A lotação está limitada a 63 pessoas, mas ninguém terá o desgosto de ficar de fora, já que o ciclo será gravado para futura exibição em plataformas digitais.

Terça, 4: capoeira à mesa no Vale Encantado

Arruda dos Vinhos leva as Carnes de Capoeira ao prato. Ao longo do mês de Maio, nas duas dezenas de restaurantes da região que aderiram à iniciativa, é possível provar receitas de coelho, faisão, frango, galinha, galo, pato e peru, “confeccionados com toda a sabedoria tradicional e com os inconfundíveis sabores dos produtos locais” refere a autarquia, que a organiza. À mostra gastronómica associam-se descontos e promoções de produtores de vinho do concelho (Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, Casa do Remoinhal, Condado Portucalense, Ezequiel Carvalho, Monte Bluna e Quinta de S. Sebastião) e de promotores turísticos (Academia de Dressage, ADV Moto Tours, Casal Portinho, Equal for All, Iviagens, Quinta de Santa Maria e Quintinha dos Cavalos). Além do património dos sabores, que vem com ganas de celebrar o desconfinar da restauração, a organização aproveita a viagem para convidar os comensais a visitar a terra, conhecida por muitos como o Vale Encantado.

Quarta, 5: Nós, Europeus ou imagens de um Portugal sem muros

Por estes dias, rumar ao Convento de São Francisco, em Coimbra, é ir ao encontro de Nós, Europeus, sejam idosos a ginasticar-se na praia para a temporada de férias ou gente que foi despejada da sua casa. Na Galeria Pedro Olayo (Filho), está montada uma exposição que pega num conjunto de imagens do arquivo do Prémio Estação Imagem para se focar no significado de ser português dentro da amplitude e dos contrastes da união, para concluir que “a Europa, como Torga poderia ter dito, é, no fim de contas, Portugal sem muros”, sugere o texto de apresentação, assinado por Álvaro Vasconcelos. Augusto Brázio, Ana Brígida, Arlindo Camacho, Daniel Rocha, Enric Vives-Rubio, Mário Cruz, Paulo Pimenta e Rodrigo Cabrita estão entre os 38 fotógrafos representados. Comissariada por Luís Vasconcelos e integrada no Semestre Europeu - A Europa em Coimbra, a exposição pode ser vista todos os dias, excepto terça, até 5 de Setembro, das 15h às 20h, com entrada livre. 

Quinta, 6: Subterrâneos desconfinados

O outrora punk-rocker João “O Gajo” Morais leva ao Alentejo as suas viagens musicais a bordo da viola campaniça. Nesta quinta-feira, mostra em Évora, no Auditório Grande do Colégio Espírito Santo da Universidade, o álbum que gravou depois de se ter passeado por 4 Estações, um conjunto de EP temáticos inspirados por estações ferroviárias: Rossio, Santa Apolónia, Cais do Sodré, Alcântara-Terra. Subterrâneos – assim se intitula o disco, gravado com Carlos Barretto no contrabaixo e José Salgueiro na percussão – já tinha tido uma primeira apresentação online, em Março, mas ecoa agora presencialmente, ao embalo do festival Soam as Guitarras. Além de Évora (onde toca às 21h, com bilhetes a 8€), O Gajo visita também, na véspera, o Cinema Charlot, em Setúbal (à mesma hora, com bilhetes a 10€). Póvoa de Varzim e Oeiras, o município natal do festival, também entram na rota de concertos. Alguns ainda estão por anunciar, mas já há muitos alinhados até Setembro, com João Pedro Pais, Nancy Vieira, Dead Combo, Miramar, Manuel de Oliveira, Mafalda Veiga e Sérgio Godinho na lista de participantes. Mais informações aqui.

Sexta, 7: lendas em ruínas 

Depois do Porto, é a vez de Lisboa ver o seu capital lendário convertido numa experiência imersiva às mãos do ateliê OCubo. Se na Invicta o espectáculo desceu às furnas da Alfândega, agora escolhe para tela o conjunto de arcos e colunas que compõem as Ruínas do Carmo. O convite é para entrar numa “caixa de memórias” tridimensional, musicada por Noiserv e habitada por Maria Botelho Moniz, Marina Albuquerque, Ricardo Carriço, Joaquim Horta, Pedro Laginha, Pedro Lamares, Diogo Mesquita, Carlos Vieira de Almeida e André Gago. Entre efeitos visuais e projecções 3D, representam personalidades tão emblemáticas como Fernando Pessoa, D. Maria II, o Marquês de Pombal ou a Severa. O enredo é resgatado aos mitos, lendas e episódios históricos que pontuam a cidade, da criação das sete colinas por uma rainha enfurecida por Ulisses, até à morte de Martim Moniz entalado nas portas do Castelo de São Jorge, passando pela reconstrução pós-sismo de 1755 (o mesmo que deixou o Convento do Carmo em ruínas) e pelos milagres da cadeira de São Gens. Lisbon Legends abre portas nesta sexta-feira e fica em cena até 20 de Julho. Para já, projecta-se numa sessão única por dia, às 21h30, de quinta a sábado e à segunda e terça (as quartas ficam reservadas a reposições de outro espectáculo imersivo do ateliê, Lisbon Under Stars). O preço dos bilhetes varia entre 11€ e 16€, com entrada gratuita para crianças até aos três anos.