Entrevista

“Estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação”

Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Numa entrevista exclusiva ao PÚBLICO, Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.

Quando o ministro das Finanças foi escolhido, há dois anos, para presidir ao Eurogrupo, nada faria supor que estaria no cargo durante aquela que é a maior crise da história da integração europeia. A sua missão é de conseguir arrancar, mesmo que seja a ferros, consensos entre os seus pares europeus, para que a resposta à crise pandémica seja o mais eficaz possível no que toca aos seus efeitos económicos e sociais. Admite que o último mês foi vertiginoso. Insiste em que as medidas de emergência aprovadas na última reunião do Eurogrupo foram as necessárias e são todas elas inovadoras. Falta o mais difícil: desenhar o plano seguinte, de reconstrução da economia europeia e que aqui as divisões são maiores. Definir a ambição desse plano e a forma de financiá-lo depende do Conselho Europeu da próxima quinta-feira. É aqui que entra a questão da emissão de dívida conjunta ou a necessidade de voltar a pôr a funcionar o Mercado Único. Centeno fala de um valor com “12 zeros”. Ou seja, biliões. E acredita que prevalecerá, entre os líderes, o espírito europeu.