Trump alarga veto a cidadãos de seis países com população muçulmana

O Presidente dos EUA incluiu Nigéria, Eritreia, Sudão, Tanzânia, Quirguistão e Birmânia na lista de países com substanciais populações muçulmanas cujos cidadãos não podem pedir vistos de residência.

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O Presidente Trump tem feito da imigração um dos principais temas da sua governação Reuters/YURI GRIPAS

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adicionou seis países à lista das nações com grandes populações muçulmanas cujos cidadãos não podem pedir vistos de residência nos EUA, dois anos depois do primeiro decreto que o proibia. Nigéria, Eritreia, Sudão, Tanzânia, Quirguistão e Birmânia entraram agora na lista que já perfaz 13 países. A medida entrará em vigor a 22 de Fevereiro.

“Estes países querem ajudar, mas por várias razões não conseguiram respeitar os requisitos mínimos que apresentámos”, disse o secretário da Segurança Interna interino, Chad Wolf. As falhas foram ao nível dos passaportes electrónicos e da partilha de informação sobre suspeitos de terrorismo e criminosos, disse a Al-Jazeera. 

A inclusão destes países na lista não terá impacto, continuou Wolf, na atribuição de vistos de turismo ou negócios aos cidadãos destes países. “Os turistas que se dirijam aos Estados Unidos não verão a sua entrada negada em resultado desta decisão”, disse o governante, citado pela CNN. 

Os cidadãos da Nigéria, Eritreia, Quirguistão e Birmânia deixarão de se poder candidatar a vistos de residência permanente em território americano e os do Sudão e Tanzânia já não poderão pedir “vistos de diversidade”, que estavam disponíveis a candidatos de países com baixas taxas de imigração para os Estados Unidos. 

De acordo com dados de 2018, citados pela CNN, calcula-se que 12.398 cidadãos destes seis países e que já estão a residir nos Estados Unidos com vistos de imigração sejam afectados. Juntam-se aos cidadãos do Irão, Líbia, Somália, Síria, Iémen, Venezuela e Coreia do Norte. O Chade também integrava a lista, mas foi retirado em Abril, por Washington considerar que melhorou as medidas de segurança. 

“A proibição devia acabar, e não ser alargada. O Presidente Trump está a assinar uma política anti-muçulmanos e a usar a proibição para pôr em prática os seus preconceitos, ao excluir mais comunidades de cor”, disse em comunicado Omar Jadwat, director do Projecto Direitos dos Imigrantes da União Americana das Liberdades Civis, em reacção ao novo alargamento. 

A justificação de segurança da Administração Trump não faz sentido aos olhos de Alex Nowrasteh, director de Estudos de Imigração do Cato Institute, conhecido por ser neoconservador. “A probabilidade anual de se ser assassinado em solo norte-americano por um terrorista destes seis países é de um em 1,9 mil milhões”, afirmou à CNN. 

Na primeira semana na Casa Branca, em Janeiro de 2017, Trump assinou uma ordem executiva a proibir a entrada de todos os cidadãos de sete países de maioria muçulmana por razões de segurança. Houve caos nos aeroportos de todo o país e os críticos contestaram-na nos tribunais. Houve órgãos judiciais que lhes deram razão e outros que apoiaram a Administração Trump, num imenso imbróglio judicial, até que, 2018, o Supremo Tribunal, deu razão ao Governo, embora sem fazer qualquer referência a critérios religiosos.

A decisão de Trump foi o cumprir de uma promessa eleitoral feita em 2015 e a pensar nas eleições presidenciais de 2020, diz a Al-Jazeera. Na campanha que o levou à Casa Branca, o então candidato republicano defendeu “uma proibição total e completa da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos”. Desde que assumiu a presidência tem também feito do combate à imigração sem documentos um dos principais temas de governação

O Governo americano começou a discutir a hipótese de alargar a lista em Outubro, avançou a CNN em meados de Janeiro. Os responsáveis da Administração debateram num momento a inclusão de cinco países e, noutro, de sete. E Trump confirmou-o pouco depois numa entrevista que deu ao Wall Street Journal, sem revelar quais os países em discussão.