Opinião

Diário de campanha, dia 3: choques frontais e um despiste

Ao terceiro dia, a campanha acelerou e houve choques frontais. António Costa acusou o PSD de “sujeira política”, Rangel acusou o Governo de “negligência” no combate aos fogos, o CDS criticou a “promiscuidade” dos socialistas, o BE questionou o CDS pelas responsabilidades da centrista Celeste Cardona no caso Berardo. O PCP censurou os partidos que já estiveram no Governo por terem tirado tudo às populações do interior: “Às vezes só faltou levarem os cemitérios - e não o fizeram porque não conseguiam. Levaram a escola, o centro de saúde, as freguesias, os correios, os centros de distribuição postal. Levaram tudo isso e agora vêm chorar lágrimas de crocodilo?”.

Sim, esta quarta-feira os ânimos estiveram mais exaltados, apesar de um dos cabeça de lista ao Parlamento Europeu ter garantido estar “calmíssimo”.

O PSD esforça-se por dar ênfase às questões do Governo, embora critique Costa por querer fazer destas europeias um referendo ao Executivo. No dia em que arrancou a segunda fase de reforço de meios para o combate aos incêndios, Rangel denunciou aquilo que chama de “incompetência, incúria e negligência” por não estarem disponíveis todos os meios aéreos que era suposto existirem.  

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS entrou na caravana da campanha para atacar o PSD por estar a fazer uma campanha “suja” que envolve fake news contra o candidato Pedro Marques e de fazer uma política de “sujeira” que “não é digna da democracia” por ter sobrevoado na véspera as zonas ardidas em 2017 numa acção de campanha eleitoral: “Na corrida pelo oportunismo político mais lamentável, Rangel ganhou de longe. Ele escolheu sobrevoar a dor das pessoas e do território”.

O tema dos familiares no Governo marcou também hoje a agenda pela voz de António Pires de Lima, ex-ministro centrista, que foi dar o seu apoio a Nuno Melo em Cascais. “Temos um Governo como nunca se viu. Um Governo que é uma vergonha. Um Governo de pais e filhas de maridos e mulheres (…) Uma situação nunca vista na democracia e na ditadura”, disse.

O BE, que condenou “o insulto” e a “infantilidade” que grassa na campanha, resolveu responder ao CDS, que pediu a retirada da condecoração do Estado português a Joe Berardo. “Aacho bem que seja retirada a condecoração a Joe Berardo, mas parece-me que Nuno Melo acha que retirar a condecoração e entregar a medalha é suficiente. Nós queremos que a medalha seja devolvida, mas queremos, sobretudo, que o dinheiro seja devolvido e que sejam responsabilizadas as pessoas que tomaram estas decisões como Celeste Cardona, do CDS-PP,  esteve directa e pessoalmente envolvida naquilo que foram as decisões de conceder 350 milhões de euros em empréstimos a Berardo”, lembrou Marisa Matias.

Já o PCP declarou estar fora das “questiúnculas”, “fulanizações” e até “ataques pessoais” da campanha. João Ferreira dedicou o dia ao interior mas não sem carregar nas tintas. “O tipo de trocas de acusações a que temos assistido resulta de um facto ineludível, o de que PS, PSD e CDS têm uma enorme dificuldade em se distinguir por aquilo que fizeram no Parlamento Europeu nos últimos anos. Como têm essa dificuldade, porque estiveram sempre de acordo no fundamental, têm de arranjar questões laterais, algumas pouco agradáveis e pouco esclarecedoras, para se diferenciar. Têm de encenar divergências que, na verdade, não tiveram no PE”, disse João Ferreira.

No meio de tudo isto, houve mesmo um despiste e não foi em sentido figurado. Pedro Santana Lopes, líder da Aliança, e Paulo Sande, o cabeça de lista ao Parlamento Europeu, sofreram um acidente de viação quando seguiam na A1, na zona de Leiria. Santana acabou por ter que ser transportado de helicóptero para o hospital de Coimbra. 

Foi mesmo um dia de emoções fortes.