“Se a Marisa incomoda muita gente, mais alguns como a Marisa incomodarão muito mais”

José Gusmão defendeu que, nestas europeias e nas legislativas que se avizinham, a escolha que os cidadãos têm de fazer é se querem voltar às políticas dos partidos que defendiam não haver alternativa ou “dar mais força” a quem fez a “diferença”.

José Gusmão tem acompanhado sempre Marisa Matias
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José Gusmão tem acompanhado sempre Marisa Matias LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Foi pela mão do número dois do Bloco de Esquerda às eleições europeias que algumas críticas à direita e ao PS subiram de tom, no jantar que esta terça-feira juntou os bloquistas em Almancil. José Gusmão acusou a direita de não ter trabalho nem propostas para mostrar, criticou as campanhas com “piadinhas” a roçar a “infantilidade” e lamentou ainda que, no contexto europeu, os socialistas se afastem da esquerda. Por isso, pediu um reforço da representação do partido no Parlamento Europeu, onde a eurodeputada Marisa Matias está sozinha: “Se a Marisa incomoda muita gente, mais alguns como a Marisa incomodarão muito mais.”

Ao contrário das críticas que teceu à direita e aos socialistas, José Gusmão guardou todos os elogios para o trabalho que a candidata tem feito em Bruxelas. Até notou que, durante esta campanha nas ruas, Marisa Matias é tratada apenas pelo primeiro nome: para José Gusmão, a candidata “perdeu um apelido”, mas “ganhou em reconhecimento”.

A mira estava, porém, apontada noutra direcção. José Gusmão acusou a direita de não falar nem da Europa, nem do país, de não ter “trabalho, nem propostas” para apresentar e de se limitar a apresentar como armas, na campanha, “piadinhas e ataques pessoais, muitas vezes, a roçar o insulto e infantilidade”. É a mesma direita que quer Manfred Weber para presidente da Comissão Europeia, o “homem” que defendeu as sanções, notou o bloquista.

Já em relação ao PS, a estratégia é diferente, continuou. José Gusmão considerou que os socialistas têm lançado para o debate público medidas que tiveram a assinatura da “solução política que irá terminar as suas funções em Outubro”, incluindo as “impostas” pelos partidos à esquerda. “Mas, sobre a Europa, não têm nada a apresentar a não ser outra geringonça do PS”, afirmou José Gusmão, referindo-se às escolhas que o PS se “prepara” para fazer, com “velhos aliados”, “uma coligação com liberais europeus, um grupo da direita europeia que, já agora, também defendeu as sanções contra Portugal”. O bloquista referia-se à negociação que os primeiros-ministros socialistas e liberais da União Europeia encetaram para formar um bloco pós-eleições que escolha as lideranças dos cargos de topo da União.

O Bloco, insistiu José Gusmão, irá recusar um tipo de debate que “afasta as pessoas da democracia”, privilegiando as acusações e transformando a Europa num “chorrilho de abstracções”, em vez de mostrar a importância das políticas europeias para a vida das pessoas.

E deu um exemplo: o modelo da integração europeia. Entre muitas outras considerações, defendeu que as “economias periféricas da zona euro” pagaram os “excedentes” da Alemanha, o que levou ao endividamento público e à troika. A questão que queria levantar era esta: depois de tantas “falhas do euro, desequilíbrios e injustiça”, os portugueses ainda tiveram de ouvir a direita dizer que tudo era culpa de se andar a viver “acima das possibilidades”. “Nós mostramos que havia outros caminhos”, afirmou, defendendo que nestas europeias, e nas legislativas que se avizinham, a escolha que os cidadãos têm de fazer é se querem voltar àquelas políticas ou “dar mais força” a quem fez a “diferença”.

À semelhança de José Gusmão, no discurso que fez, também Marisa Matias falou das questões ambientais. E, aproveitando estar no Algarve, agitou mais uma bandeira do BE contra os furos petrolíferos, contra a “direita que fura” as “carteiras e quer furar o Algarve também”.