Rangel acusa Governo de “incompetência e negligência” na falta de meios aéreos

Antes de voltar a falar sobre incêndios, o cabeça de lista do PSD disse que “não é claro” se Marques quer ser eurodeputado ou comissário.

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Paulo Rangel (PSD) LUSA/TIAGO PETINGA

O cabeça-de-lista do PSD reconhece que há “uma duplicidade” nas declarações feitas pelo seu adversário do PS sobre se quer ser eurodeputado ou comissário europeu, mas não foi mais longe. Paulo Rangel usou um tom suave para responder às críticas do primeiro-ministro sobre a viagem de helicóptero às zonas ardidas, repetindo apenas que é preciso “serenidade e elevação”.

Paulo Rangel falava, esta manhã, aos jornalistas, no terceiro dia de campanha para as europeias, no final de uma visita de quase duas horas à Fundação Champalimaud, presidida pela social-democrata Leonor Beleza, que não surgiu ao lado do candidato do PSD. Paulo Rangel justificou essa ausência com o facto de Leonor Beleza o ter recebido na qualidade de presidente da fundação embora “toda a gente” saiba “qual é a sua filiação partidária”.

Acompanhado pela candidata número dois, Lídia Pereira, Maria Graça Carvalho (número quatro) e por Carlos Coelho (número sete), Paulo Rangel comentou a hipótese de Pedro Marques vir a ser comissário europeu. “Há a duplicidade, não é claro se quer ser eurodeputado ou comissário”, disse, sem fazer mais comentários.

O cabeça de lista respondeu ainda ao primeiro-ministro, que na noita anterior havia criticado Paulo Rangel por ter sobrevoado zonas ardidas em 2017 de helicóptero sem contacto com as pessoas no terreno. “Faço uma recomendação, dou um conselho ao dr. António Costa: para combater a abstenção é com serenidade e elevação”, disse, repetindo a frase duas vezes. Paulo Rangel lembrou que o primeiro-ministro “já andou de helicóptero muitas vezes” e que esse debate é “infantil”.

Durante a visita à fundação, o candidato do PSD recebeu um grupo de investigadores que estão a entregar o Manifesto Ciência 2018 a todas as candidaturas ao Parlamento Europeu.

A “deselegância” do PS

Horas depois, num almoço na Associação Humanitária dos Bombeiros do Dafundo, em Oeiras, Paulo Rangel endureceu o tom contra o primeiro-ministro. Primeiro acusou o chefe de Governo de querer desviar as atenções por causa da falta de meios aéreos de combate aos incêndios como o PÚBLICO noticiou. “Dos muitos helicópteros que faltam no terreno o único que foi falado foi o que foi ao terreno”, disse, depois de registar o “nervosismo, a agitação e alguma deselegância do PS” na campanha.

Depois, Paulo Rangel responsabilizou o Governo por se deixar enredar “nas burocracias e não conseguir ter os meios prontos no arranque da época de incêndios. E fez uma comparação com o problema do SIRESP, que foi “diagnosticado há quase dois anos”. Paulo Rangel atirou ao primeiro-ministro ao dizer que foi “o maior crítico” mas também o responsável pelo sistema quando era ministro, e que não conseguiu resolver o problema quando abre a época de incêndios. “Isto revela incompetência, incúria e negligência”, acusou perante uma plateia que não chegava a 100 pessoas e onde estavam vários comandantes de bombeiros. 

* Notícia actualizada às 14h com informações sobre o almoço em Dafundo