Portugal já pagou metade do empréstimo ao FMI

Ministério das Finanças confirma pagamento antecipado de tranche no valor de 1700 milhões de euros.

Ministério das Finanças, liderado por Mário Centeno, anuncia que Portugal já pagou metade do empréstimo ao FMI
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Ministério das Finanças, liderado por Mário Centeno, anuncia que Portugal já pagou metade do empréstimo ao FMI Nuno Ferreira Santos

Com o reembolso de 1700 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na semana passada, Portugal concluiu o pagamento de metade do empréstimo, diz o Ministério das Finanças em comunicado.

“Com esta operação, Portugal concluiu o reembolso antecipado de metade do empréstimo ao FMI, aproveitando assim a autorização concedida pelas instituições da UE [União Europeia], em Fevereiro de 2015. O reembolso foi concluído cerca de seis meses antes do previsto, reflectindo a robustez das condições económicas e financeiras de Portugal”, pode ler-se no comunicado emitido nesta segunda-feira.

No sábado passado, o primeiro-ministro, no meio de críticas à oposição, já tinha anunciado o pagamento antecipado desta tranche ao FMI. “Se já estavam irritados com a descida do desemprego, com o crescimento da economia, se já estavam irritados com o facto de termos o melhor défice de sempre, pois ainda ficarão mais irritados porque hoje posso dizer que na semana passada demos um passo muito importante, porque pagámos mais 1700 milhões de euros da nossa dívida ao FMI e a nossa dívida é hoje um ponto percentual do PIB mais baixo que o que era há uma semana”, afirmou António Costa.

Em Janeiro de 2015, Maria Luís Albuquerque, então ministra das Finanças do Governo de Pedro Passos Coelho, afirmou no Parlamento que Portugal ia proceder de modo a pagar mais cedo o empréstimo pedido ao FMI. O empréstimo foi de 26.350 milhões de euros, mais ou menos um terço dos 78.000 milhões que recebeu da troika de credores internacionais, entre 2011 e 2014. O pagamento, feito em várias tranches, teria de ser realizado no prazo de dois anos e meio, mas foi antecipado em seis meses. Esta operação, nas palavras do Ministério das Finanças, foi uma demonstração da “robustez da economia” de Portugal.

O pagamento ao FMI foi possível, também, devido ao bom desempenho da economia portuguesa no segundo semestre do ano passado, o que “levou a uma revisão positiva das previsões de crescimento pela generalidade das organizações internacionais”. Portugal cumpriu os objectivos orçamentais: atingiu “o défice global mais baixo desde 1974 e o saldo primário mais elevado desde 1992”, salienta o comunicado do Ministério das Finanças.

O Ministério das Finanças afirma que “começa a emergir um consenso de que Portugal está a virar a página da crise”. “As reformas e os ajustamentos económicos sustentam uma recuperação que surpreendeu positivamente muitos observadores. As principais instituições internacionais (OCDE, Comissão Europeia, FMI) têm realçado, nos seus relatórios sobre as perspectivas económicas e financeiras, os progressos alcançados por Portugal”, refere o ministério presidido por Mário Centeno.

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