Primeiro-ministro considera que “oposição não gosta de Centeno porque conseguiu o défice mais baixo”

António Costa surgiu em defesa do ministro das Finanças, invocando a redução do défice. De manhã, deixou boas perspectivas quanto ao crescimento do investimento em 2017.

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Nelson Garrido
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O primeiro-ministro António Costa, saiu em defesa do ministro das Finanças, acusando o PSD e o CDS de atacarem Mário Centeno porque foi este quem conseguiu atingir o défice mais baixo. “Digam o que disserem, o que eles não gostam mesmo no ministro da Finanças é porque é o ministro das Finanças, que fez o menor défice, e está a pagar a dívida que eles aumentaram”, afirmou António Costa.

O primeiro-ministro, que falava enquanto secretário-geral do PS na apresentação da candidatura socialista à Câmara de Espinho, disse mesmo que a oposição ao Governo “anda muito irritada”, razão pela qual “todos os dias arranja uma nova birra” e “só quer mesmo falar de tricas”.

E prosseguiu, explicando quais pensa serem as razões que levam o PSD e o CDS a tal atitude. “Acho que por duas razões, primeiro porque nada têm a dizer aos portugueses e a Portugal e, em segundo lugar, porque lhes custa ouvir as verdades sobre como o país e os portugueses hoje estão melhor que o que estavam há um ano atrás”, justificou.

E continuando no ataque à oposição, garantiu: “Eles não gostam de ouvir mas vão mesmo ter de ficar irritados e ouvir. ”. Para, de seguida, insistir na ideia: “Aquilo que os irrita mesmo muito é que apesar de termos reposto vencimentos, pensões, aumentado as prestações sociais, reduzido a carga fiscal, a verdade é que chegámos ao fim de 2016 com o melhor défice orçamental em 42 anos de democracia e que nunca ninguém tinha conseguido alcançar.”

E confirmou que Portugal já pagou mais 1.700 milhões de euros ao FMI, que permitiram baixar a dívida em mais um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB). "Hoje posso mesmo anunciar que se já estavam irritados com a descida do desemprego, com o crescimento da economia, se já estavam irritados com o facto de termos o melhor défice de sempre, pois ainda ficarão mais irritados porque hoje posso dizer que na semana passada demos um passo muito importante, porque pagámos mais 1.700 milhões de euros da nossa dívida ao FMI e a nossa dívida é hoje um ponto percentual do PIB mais baixo que o que era há uma semana atrás”, afirmou António Costa.

Investimento cresce

De redução do défice falou, também, António Costa, mas na qualidade de primeiro-ministro, durante a manhã, na inauguração da nova fábrica da Sakthi Portugal, em Águeda. E, além de destacar o trabalho já feito, deixou perspectivas optimistas para este ano, nomeadamente, a convicção de que o país está, em 2017, “a prosseguir o caminho do investimento”. Um cenário que fica a dever-se, “sobretudo, ao reforço da confiança na economia portuguesa, que atingiu no mês passado níveis recorde que já não eram atingidos desde o ano 2000”, sublinhou.

“Este investimento é um excelente exemplo, que sinaliza um momento de viragem na economia do país”, destacou ainda, referindo-se, concretamente, ao investimento de 37 milhões de euros do grupo indiano Sakthi em Águeda, cujo arranque o primeiro-ministro já havia apadrinhado – em Maio de 2016, procedeu ao lançamento da primeira pedra.

A nova unidade industrial da Sakthi Portugal – a SP21 – destina-se ao fabrico de componentes em ferro para automóveis e veio criar 135 postos de trabalho directos. Com perspectivas de aumentar a capacidade de produção, segundo notou o próprio primeiro-ministro, que fez ainda questão de agradecer a confiança demonstrada pelos investidores indianos Portugal. E, acima de tudo, o testemunho dado por Manickam Mahalingman, chairman do grupo, na recente visita de Estado à Índia do primeiro-ministro.

“Pôde dizer a todos os empresários indianos que Portugal foi o país onde resolveu concentrar a sua actividade na Europa, depois de a Sakthi ter encerrado várias das suas empresas em outros países europeus, porque aqui encontrou a excelência dos recursos humanos e um ambiente muito favorável ao desenvolvimento desta actividade”, defendeu o primeiro-ministro. Um testemunho que foi ao encontro das palavras que Manickam Mahalingman fez questão de deixar na inauguração daquela que é a segunda fábrica do grupo no nosso país – a Sakthi já detém, desde 1998, uma unidade industrial na Maia. “Sentimo-nos em casa em Portugal”, declarou o empresário.

Esta confiança é, para o primeiro-ministro, “um sinal” de que o Governo tem estado “a fazer um bom caminho”, mas também que o país tem “todas as condições para prosseguir esse caminho de excelência”. E defendeu: “É esse o trabalho que temos de fazer: centrar a nossa atenção naquilo que é essencial para o desenvolvimento do país: investir na requalificação dos recursos humanos, investir na inovação das empresas, ter cada vez um Estado mais ágil e moderno.”

com Lusa