Turismo já vale metade das exportações de serviços

O sector do turismo vai fechar o ano de 2015 com um crescimento nas receitas de mil milhões de euros. E é esta actividade que garante que a balança comercial portuguesa se mantenha positiva.

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Nuno Ferreira Santos

O peso do sector do turismo na economia continua a crescer e aproxima-se, a passos largos, de representar 50% do total de exportações de serviços em Portugal. De acordo com o último boletim estatístico do Banco de Portugal, divulgado nesta quinta-feira, e que colige os dados de Janeiro a Novembro, as receitas do turismo cresceram 10% em termos homólogos, bastante mais do que os 3,7% de variação que registou o sector de serviços como um todo. No total, o turismo vale 10.598 milhões de euros, significando 47% das exportações de serviços. 

Estas são notícias positivas que vêm confirmar a relevância do sector na balança comercial portuguesa, garantindo que ela continua positiva. É graças ao sector dos serviços, muito suportado pelo turismo, que a balança comercial portuguesa se tem mantido positiva, já que os bens só por si, têm um saldo (entre valor das exportações e importações) negativo.

Contactado pelo PÚBLICO, o presidente do Turismo de Portugal, Cotrim de Figueiredo realça outro dado: o facto de as receitas registadas pelo sector até Novembro de 2015 já terem ultrapassado em valor as que foram encaixadas durante todo o ano de 2014. Foram cerca de 200 milhões de euros a mais de receita. Este desempenho, permite ao presidente do Turismo de Portugal antecipar que o ano de 2015 vai fechar com um acréscimo de mais de mil milhões de euros no PIB nacional. “Em 2014 o sector do turismo contribuiu com 10.400 milhões de euros no produto. Em 2015 as receitas vão crescer 0,5% do PIB”, contabilizou.

O sector do turismo, que pesa cerca de 10% do mercado nacional, tanto em número de empresas como em número de pessoal ao seu serviço (segundo o boletim do INE sobre as Estatísticas das Empresas), começa também a assumir, cada vez mais, um papel relevante na qualificação de recursos humanos, de oferta de serviços, na requalificação do território. Amanhã, na Universidade do Algarve, e no âmbito do ciclo de Conferencias Caixa 2020, organizadas pelo PÚBLICO em parceria com a Caixa Geral de Depósitos o tema “Turismo 3.0 – um novo fôlego para a qualificação” vai debater quais são as forças motrizes deste sector e quais devem ser as prioridades no investimento e no financiamento dos projectos de turismo vão estar em debate na Universidade do Algarve.   

Cotrim Figueiredo não tem grandes dúvidas sobre essa força motriz, e acredita que ela vai continuar a registar taxas de variação positivas. Primeiro porque o crescimento de receitas que se tem registado no sector é superior ao crescimento do número de hóspedes que escolhem o destino Portugal. “As taxas de ocupação continuam a crescer - em Novembro cresceram 13% - o que dá saúde à continuação das empresas e no seu esforço de investirem e qualificarem a sua oferta”. 

É sempre neste aspecto que o presidente do Turismo de Portugal insiste quando lhe pedem para falar do bom desempenho do turismo e do sucesso que têm tido as campanhas de promoção feitas em mercados, ou segmentos de mercado, mais ou menos estratégicos: “De nada nos adianta acertar em cheio no público que queremos atingir, e de nada adianta convencer as pessoas a visitar Portugal, a conhecer as nossas cidades, património e gastronomia, se, cá chegadas, saírem desiludidas, e partilharem más experiências. A promoção é importante. Ter bons produtos para promover ainda mais. E, nisso, Portugal tem muitos e bons argumentos”, recorda.

E é a constatação de que os bons resultados do sector se têm vindo a consolidar, desde 2012, altura em que as entidades que gerem a promoção turística acertaram agulhas e mudaram de estratégia para apostar mais no impacto que poderiam provocar, em termos de disseminação de mensagens promocionais, que permitem ao presidente do Turismo de Portugal pedir que se pare de falar do sucesso do destino como uma “moda” que, como tal, é efémera nos resultados. “Nada se mantém na moda durante quatro anos consecutivos. A moda extingue-se numa estação”, insiste Cotrim de Figueiredo.

E se há quatro anos, quando a mudança de estratégia os fez apontar agulhas para um oceano ainda pouco conhecido – o da internet e das redes sociais – hoje já há um domínio das ferramentas de navegação. Há o esforço de coligir dados (para conhecer o mercado nos seus vários segmentos) e o trabalho de segmentar as ofertas para que tenham maior impacto. “Se sabemos o número de mulheres, jovens, da Suécia, que gostam de jogar golfe no Inverno, porque não mostrar-lhes o muito que Portugal tem para oferecer?”, exemplifica Cotrim de Figueiredo.

Uma coisa é certa: o vizinho mercado espanhol nunca deixa de estar debaixo de olho. Em 2015 cresceu cerca de 15% em número de turistas, 10% em número de dormidas e 12% em receitas. “O mercado espanhol é o segundo mais significativo para Portugal”, esclareceu a Secretaria de Estado do Turismo, mas ainda faz estadias muito curtas de, em média, dois dias. Por isso, o Governo vai reforçar o investimento em 25% na promoção em Espanha. Com Luís Villalobos

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