PS, PCP e BE criticam cortes nas pensões de sobrevivência e querem explicações

Apoio aos viúvos vai ser reduzido já a partir de Janeiro, estando previsto um corte de quase 4% no total da despesa com pensões de sobrevivência.

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O Governo pretende poupar 100 milhões de euros só neste apoio PAULO RICCA

O apoio aos viúvos vai ser reduzido já a partir de Janeiro, estando previsto um corte de quase 4% no total da despesa com pensões de sobrevivência. A medida está a ser criticada tanto pelo PS, como PCP e BE, que querem explicações do Governo.

O deputado do PS Pedro Marques pediu nesta domingo explicações ao Executivo de Pedro Passos Coelho sobre cortes previstos nas pensões de viuvez em 2014, considerando a medida “inaceitável” e “de enorme indignidade”.

“Há uma necessidade de explicação por parte do Governo, porque o primeiro-ministro nada referiu sobre esta matéria no debate quinzenal e o vice primeiro-ministro, na conferência de imprensa da passada quinta-feira, até disse que não havia novas medidas de austeridade e falou no fim da TSU dos pensionistas”, disse à agência Lusa Pedro Marques.

O deputado socialista e ex-secretário de Estado da Segurança Social reagia à notícia hoje avançada pela TSF, que dá conta de cortes, a partir de Janeiro, nas pensões de sobrevivência, prestação atribuída a viúvos e viúvas. Esta medida foi assumida pelo Governo durante as oitava e nona avaliações do programa de ajustamento com o objectivo de poupar 100 milhões de euros.

O socialista afirmou que esta proposta “é imoral do ponto de vista social”, considerando “inaceitável a falta de verdade e de clareza do Governo”. “É profundamente errado que o Governo, em particular Paulo Portas, tenha escondido esta medida dos portugueses quando disse que ia acabar com a TSU dos pensionistas”, disse, adiantando que “afinal a TSU sobreviveu para os viúvos e viúvas”. Para o ex-secretário de Estado da Segurança Social, é de “uma enorme indignidade” o Governo querer cortar nas pensões.

A Lusa contactou o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social que, até ao momento, não prestou esclarecimentos.

Por seu lado, o PCP, citado pela TSF, diz que a perseguição aos reformados continua para além da morte e que nem no luto os pensionistas estão a salvo. Já Mariana Aiveca, do BE, reitera que os cortes são inaceitáveis e só vão parar se a contestação for levada para a rua.

A notícia causou também surpresa junto da Associação de Pensionistas e Reformados. A presidente Maria do Rosário Gama disse à mesma rádio que esta é mais uma prova de insensibilidade de quem manda. Com reunião marcada para amanhã com o Presidente da República, Cavaco Silva, Maria do Rosário Gama garantiu que este tema entrará na agenda.