Palcos da semana

O Animal Sentimental de Mísia mostra-se em Lisboa, enquanto o Seixal intervém com o Festival do Maio, o Porto ouve música à beira-Douro, Amarante se põe a Refotografar e Beja se entrega à nona arte.

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Bia Ferreira vem ao Festival do Maio, no Seixal Gabriella Maria
CHINA. Beijing. Tiananmen Square. 'the tank man' 4th June 1989.�
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Tirada em Tiananmen (Pequim), a 4 de Junho de 1989, esta é uma das imagens exibidas em Magnum Photos 75 Years, em Amarante Stuart Franklin/Magnum Photos
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Mísia apresenta Animal Sentimental num concerto encenado, em Lisboa C. B. Aragão
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Pormenor da capa de Les Portugais, de Olivier Afonso e Chico, em destaque no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja DR
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Os Ornatos Violeta encabeçam o primeiro dia do JN North Festival, no Porto Andreia Gomes Carvalho

Licença para intervir

Vai da “MPP (Música de Mulher Preta)” com que se autodefine a cantora e activista brasileira Bia Ferreira até ao hip-hop politizado de Valete. Passa pelas trovas de Jorge Palma, rima com o Oitavo Céu de Dillaz, ingressa no Samba de Guerrilha de Luca Argel e, no final, ainda dá um salto ao folk-punk de Goran Bregovic, que vem de Sarajevo artilhado com festa radicada no folclore balcânico e espraiada por outras coordenadas. É o Festival do Maio a reafirmar, na sua terceira edição, a convicção de que é “urgente intervir, informar e acordar consciências”. Neste palco, novamente programado por Luís Varatojo, a cantiga é uma arma, mas não a única: entre as actuações, são projectados vídeo-poemas resultantes de convites feitos a José Luís Peixoto, Manuel Wiborg, São José Lapa, Ana Deus e A Garota Não.

Da Magnum a Pimenta, Refotografar

Amarante faz as honras de inauguração da digressão mundial de Magnum Photos 75 Years, a exposição que “vira a lente de forma a focar os fotógrafos (...) e as suas histórias”, enquanto celebra o aniversário da prestigiada agência fotográfica. A cortesia é do f/est Amarante - Festival Internacional de Fotografia, onde essas imagens icónicas poderão ser vistas pelas ruas. Depois de ter ensaiado a edição zero, no ano passado, o f/est regressa “numa versão mais alargada e internacional” que reforça o propósito de “apresentar aos visitantes as ruas da cidade como sala de exposições ao ar livre”, anuncia a organização. Refotografar é o tema do festival, que também contempla as fotografias captadas em cenários de conflito por Paolo Pellegrin, exibidas em As I Was Dying, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso; As Bravas que Paulo Pimenta encontrou nas montanhas do Marão, para ver nos claustros do Mosteiro de São Gonçalo; e a colectiva Remapear as Margens: Hipsografia do Centro, patente na antiga Fábrica do Matias. Conversas, workshops, uma conferência, uma oficina para crianças e fotógrafos à la minute completam o programa.

Um Animal Sentimental no seu habitat natural

Faz parte da personalidade artística de Mísia surpreender a cada projecto, não só na música como no conceito, na imagem, na personagem, na teatralidade. Ao longo de mais de 30 anos, com vida intensa nos palcos do mundo, as suas múltiplas facetas já se revelaram no fado e em boleros, fizeram eco em filmes e poemas, convocaram estilistas e coreógrafos. Agora, Mísia transforma-se num Animal Sentimental com expressão num álbum, num livro e no concerto especial que aí vem. Tem encenação, dramaturgia e direcção de Tiago Torres da Silva, um dos autores cantados no disco, ao lado de outros como Pessoa, Natália Correia, Vasco Graça Moura ou Lídia Jorge.

A nona arte em 16 exposições

Beja está em preparativos para acolher, no próximo fim-de-semana, a maioria dos autores representados nas 16 exposições que compõem o seu 17.º Festival Internacional de Banda Desenhada. Entre eles estão Altarriba & Keko (autores de Eu, Louco), Jean-Louis Tripp (Armazém Central), Chloé Wary (A Época das Rosas), Daniel Henriques (da DC Comics) e duas duplas que abordaram recentemente histórias de migração: Andrea Ferraris e Renato Chiocca com The Scar, na fronteira México-EUA, e Olivier Afonso e Chico com Les Portugais, um olhar sobre imigrantes lusos a partir de França. Dirigido por Paulo Monteiro, o festival torna a desenhar actividades paralelas que incluem sessões de autógrafos, lançamentos, oficinas, os habituais “concertos desenhados” e ainda um mercado composto por 70 editores.

À beira-Douro

Um dia de rock nacional, outro a vibrar com DJ e um terceiro mais virado para (mas não exclusivo a) sons vindos de fora. Assim se organiza a quarta edição do portuense JN North Festival. O primeiro dia é encabeçado pelos regressados Ornatos Violeta, que tocam em casa, celebram 30 anos e partilham o cartaz com o Errôr dos Linda Martini, a bateria siamesa dos Paus e ainda Zen, Paraguaii, Pedro da Linha, S. Pedro e Riot. No dia seguinte, a margem do Douro converte-se numa pista de dança, às mãos do holandês Don Diablo e do alemão Robin Schulz, mas não sem antes escutar Capicua, Domingues, T-Rex, Cassete Pirata, Throes + The Shine, Marc Vedo, Zanova e Peace Maker!. Na última noite, as atenções viram-se para as canções-memórias de The Jesus and Mary Chain e The Waterboys, aos quais se juntam GNR, Conjunto Cuca Monga, Keep Razors Sharp, Moullinex & Xinobi e DJ Vibe.

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