“O desejável é que não haja crise, espero que não haja crise”, diz Presidente

Depois de ter avisado para a inevitabilidade de eleições antecipadas caso o OE2022 seja “chumbado”, Marcelo diz agora que o que quer que diga é “inoportuno” e que espera até à votação na generalidade.

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Marcelo continua a avisar para o risco de crise política LUSA/HUGO DELGADO

O Presidente da República mostrou-se esta terça-feira cauteloso em relação ao desfecho das negociações sobre o Orçamento do Estado para 2022. “O desejável é que não haja crise, espero que não haja crise”, afirmou aos jornalistas no Palácio de Belém.

Sete dias depois de ter avisado para o cenário de eleições antecipadas em caso de “chumbo” do Orçamento do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a dizer que agora é o tempo dos partidos e do Governo procurarem um acordo. “Tudo o que eu diga neste momento é prematuro e inoportuno. O que eu tinha a dizer disse na altura certa. Neste momento aguardo os contactos entre os partidos e o Governo até à votação do OE na próxima semana”, afirmou, evitando todas as nuances das perguntas dos jornalistas.

Na quarta-feira passada, depois de ouvir PCP, BE, PEV e PAN dizerem que, tal como estava, a proposta do OE2022 não seria viabilizada, o Presidente da República disse aos jornalistas, à margem de uma visita de agenda, que o “chumbo do Orçamento conduziria muito provavelmente a eleições antecipadas”, pois “dificilmente o Governo poderia continuar a governar com o Orçamento deste ano dividido por doze, sem fundos europeus”.

Logo ali definiu um calendário possível - ao adiantar que as eleições legislativas antecipadas se realizariam em Janeiro, que o novo Governo tomaria posse em Fevereiro e que só haveria Orçamento em Abril -, para lamentar que pelo menos até Maio haveria uma "paragem em muitos fundos europeus”.

“O bom senso mostra que os custos são muito elevados, tenho para mim que o natural é que, com mais entendimento, com menos entendimento, com mais paciência, com menos paciência, acaba por passar na Assembleia da República o Orçamento do Estado”, concluiu.​

Na sexta-feira Marcelo recebeu em Belém todos os partidos parlamentares e no dia seguinte disse aos jornalistas que “o Presidente agora o que tinha a fazer, fez: preveniu em público, preveniu em privado. Agora espera. E depois agirá, de uma forma ou de outra: tendo condições, continuando tudo bem, promulgando [o Orçamento do Estado]; não tendo condições, avançando para eleições antecipadas”. “É uma decisão dos partidos. O Presidente não se pode substituir aos partidos”, afirmou.

Mesmo depois de dizer que já tinha dito tudo, Marcelo continuou a deixar avisos. Na segunda-feira, na abertura da conferência “Fundos Europeus: o Minho e a Galiza”, em Braga, avisou para o facto de o país viver “um momento decisivo” e que “o esforço é de todos”. “Ou ganhamos todos, ou perdemos todos. Não há espaço para ganhar um governo e perderem as oposições ou ganharem as oposições e perder o Governo”. 

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