Bar Americano ficará intacto no futuro hotel

Intervenção arquitectónica no quarteirão do Cais do Sodré prevê a manutenção integral do histórico espaço. Se o negócio se mantém é questão ainda sem resposta.

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Filipa Fernandez

O Bar Americano fechou portas, mas o seu interior e exterior vão manter-se intactos. O projecto do hotel que ocupará o edifício onde o bar funcionava não prevê qualquer alteração ao espaço, deixando assim aberta a possibilidade de o negócio ser retomado no futuro.

O encerramento do centenário bar do Cais do Sodré, noticiado pelo PÚBLICO na semana passada, foi confirmado pela empresa proprietária do edifício, a Patrizia, que contudo não esclareceu qual o destino pensado para o local.  “O pequeno espaço comercial vazio a que se refere vai ser ocupado novamente no futuro por um pequeno negócio local, plenamente alinhado com a história deste edifício emblemático”, referiu um porta-voz.

A Câmara de Lisboa facultou entretanto ao PÚBLICO a memória descritiva do projecto hoteleiro, assinado pelo arquitecto Frederico Valsassina, da qual consta a manutenção integral do espaço do bar. “Para que o conceito permaneça, a proposta não apresenta qualquer alteração, quer ao nível interior da loja, quer ao nível da fachada deste estabelecimento, preservando o espaço e conceito como existe actualmente”, pode ler-se.

O painel de azulejos que anuncia o bar à Rua Bernardino Costa, ao mesmo tempo que promove uma marca de vinho do Porto, vai assim manter-se naquela parede, permanecendo igualmente as portas tipo saloon, o balcão e as paredes de madeira, as prateleiras que eram poiso de antiquíssimas garrafas.

Classificado como Loja com História em 2017 pela autarquia, o bar poderá continuar com essa distinção se se mantiverem preservados os critérios que levaram à sua classificação, como a longevidade e o património artístico, cultural e histórico. No entanto, basta haver mudança no ramo de negócio para que o título lhe seja retirado. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com uma joalharia da Rua das Portas de Santo Antão que se tornou loja de recordações turísticas.

A inclusão de um estabelecimento neste programa municipal de apoio ao comércio mais antigo e emblemático da cidade também confere aos empresários a possibilidade de prolongarem os contratos de arrendamento automaticamente, mesmo contra a vontade do senhorio, mas esse mecanismo não foi accionado no caso do Americano. O bar já esteve fechado ao público em mais do que um momento ao longo dos seus 100 anos, mas desta vez o proprietário optou por abdicar do espaço.

De acordo com a memória descritiva, o futuro hotel terá 108 quartos, restaurante, bar e ginásio. Não se prevê a ampliação do edifício, apenas a sua adaptação interior ao novo uso, uma vez que actualmente é um imóvel maioritariamente ocupado por escritórios.