Apanhei a minha neta pré-adolescente a fazer sexting. O que fazer?

Como reagir quando se apanha um adolescente a partilhar imagens, vídeos ou mensagens sexualmente explícitos? E no caso de ser a avó?

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Um pré-adolescente precisa de limites, mas também precisa de apoio, sem lugar à vergonha Priscilla du Preez/Unsplash

“A minha neta, de 12 anos, esteve envolvida num incidente em que ela e dois outros jovens de 12 anos, um rapaz e uma rapariga, estavam a praticar sexting. A mãe já a encaminhou para o acompanhamento psicológico e limitou o acesso ao telefone. Como posso falar com ela para que compreenda que isto é mais do que inapropriado? Ou não devo simplesmente dizer nada?”

Muitos pais e avós estarão, neste instante, a ler o parágrafo anterior horrorizados. Mas, saibam que esta neta não está sozinha no fenómeno do sexting. Embora esta seja uma situação terrível de descobrir, os pré-adolescentes, sobretudo na fase inicial, sempre se interessaram pelo sexo e por destruírem o tabu. E as mensagens de texto num telemóvel apenas tornam estas questões mais rápidas e fáceis de explorar.

Antes de responder à questão, é importante observar que tipo de relação existe entre avó e neta. Presumindo que seja próxima, deixo a dica: considere apenas apoiar os pais em vez de tentar lidar directamente com a questão.

Há algumas características nos pré-adolescentes que justificam o facto de se sentirem tão atraídos pelo sexting – e não se trata apenas de sexo. É importante compreender que, para um adolescente, os pares e o que os pares pensam é muitas vezes primordial. Sejam quais forem as origens ou ambiente familiar, qualquer miúdo desta idade é facilmente arrastado para actividades inadequadas em virtude de uma simples ideia: quer desesperadamente “pertencer”.

Depois, pega-se neste anseio por pertencer, por fazer parte, junta-se tecnologia de ponta e “zás!”. As más decisões tornam-se fáceis e vinculativas.

A última questão é que, quer nós adultos estejamos ou não à vontade, os pré-adolescentes estão cheios de hormonas e estão justamente curiosos sobre a mudança do seu corpo. E porque a indústria pornográfica é enorme, muitos são expostos a todo o tipo de sexo – por isso o sexting não é assim tão estranho.

Com todos estes dados, já está em pânico? Não é caso para tanto.

A questão é a seguinte: é preciso baixar o nível de emergência. Um pré-adolescente precisa de limites, mas também precisa de apoio, sem lugar à vergonha, para crescer e tornar-se um jovem sexualmente saudável.

No caso, não sei se vai conseguir fazê-la compreender, dizendo-lhe como este comportamento é inapropriado. Mas este é o momento para que os pais conversem sobre as implicações destas mensagens. Como diz Catherine Dukes, uma terapeuta sexual licenciada de Newark, o sexting "pode facilmente escalar para a partilha de imagens sexuais, o que é ilegal”.

Os adolescentes não pensam muitas vezes no futuro, nem mesmo no amanhã. Mas o sexting pode afectar negativamente o futuro de muitas maneiras – e é preciso que o saibam.

Quanto a seguir em frente, a sua neta precisa de apoio em torno da compreensão da sua sexualidade e de saber como evitar situações como esta. Ela precisa de saber que não há nada de errado com o sexo ou com a sua curiosidade.

Na minha experiência, os adultos passam-se com o sexo e com o sexting e mandam a criança para a terapia. Não estou a dizer que isso é mau, mas estou a sugerir que há frequentemente uma mensagem de vergonha que acompanha essa decisão. Em vez de rotular a filha, sugiro vivamente que os pais se eduquem sobre sexo e conversem sobre o tema com os jovens. Sei que muitos de nós não fomos educados a sentirmo-nos seguros e confiantes com a nossa própria sexualidade, mas ao assumirmos este papel de liderança, tornamo-nos uma fonte de informação de confiança.

Faça o que fizer, por favor não envergonhe a sua neta por este erro. A beleza dos erros, mesmo dos grandes como este, é que eles podem tornar-se pontos de crescimento. Este erro pode gerar vergonha e medo. Ou pode fazer com que pais e avós se tornem mais conscientes do seu papel na educação sexual dos mais novos, para que estes cresçam fortes e confiantes.