John Kerry, que assinou o Acordo de Paris, escolhido por Biden para o combate à crise climática

Antigo secretário de Estado de Obama e ex candidato presidencial promete tratar a crise climática como “a ameaça urgente, que é, à segurança nacional” dos EUA.

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John Kerry, com a neta de dois anos, na assinatura do Acordo de Paris Reuters/CARLO ALLEGRI

Joe Biden nomeou o antigo candidato presidencial John Kerry, ex-secretário de Estado da administração Obama, para o cargo de enviado especial para a crise climática. Na prática, o homem que assinou o Acordo de Paris pelos EUA será externamente uma espécie de embaixador que tentará recolocar os Estados Unidos no centro da aliança global contra o maior desafio da nossa era, enquanto internamente tenta abrir caminho para o plano de acção climática do futuro presidente.

O Senado deverá continuar a ter uma maioria republicana. Este cenário político interno vai dificultar a ambição de Joe Biden, que, tendo já assumido que não quer ir tão longe quanto desejaria a ala progressista do Partido Democrata, tem, ainda assim, um plano de investimentos na chamada economia “verde” que põe a maioria dos republicanos de cabelos em pé.

A escolha de um moderado, que colaborou na definição deste plano, e tem tido, desde que deixou as funções governativas, um papel activo na denúncia da inacção norte-americana durante o mandato de Donald Trump, é considerada uma opção esperada, e compreensível, tendo em conta a necessidade de convencer os conservadores a apoiar o pacote de dois biliões de dólares com que Biden pretende relançar o combate às alterações climáticas a nível nacional.

Segundo o The Guardian, a equipa de transição de Joe Biden assegurou que Kerry trabalhará a tempo inteiro neste cargo, que lhe dará um lugar no Conselho de Segurança Nacional, prova da importância que o tema terá na nova administração.

O antigo senador do Massachusetts, que em 2016 ​colaborou com Leonardo diCaprio na produção do documentário Before the Flood (Antes do Dilúvio) – e tem estado a preparar, com diCaprio, outro filme, sobre os oceanos – já foi ao Twitter garantir que “brevemente a América vai ter um Governo que trata a crise climática como a ameaça à segurança nacional urgente que é”. 

Uma das primeiras missões de Kerry, que regressa à política com 76 anos, será, provavelmente ainda em Janeiro, recolocar os EUA no acordo climático aprovado em Dezembro de 2015 em Paris, que o próprio assinou em 2016 e do qual Trump retirou os Estados Unidos no ano passado. Internamente, a tarefa vai ser muito mais complicada, pois nos últimos quatro anos a actual administração mexeu na legislação ambiental, em benefício das indústrias extractivas mais poluentes, e não será fácil, politicamente e nos tribunais, a Kerry, que participou na organização do primeiro Dia da Terra no seu Estado, em 1970, reverter algumas das decisões.