EUA anunciam sanções contra Carrie Lam, chefe do executivo de Hong Kong

As sanções têm por alvo “pessoas que estão a pôr em causa a autonomia de Hong Kong”, diz o Departamento do Tesouro norte-americano.

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Carrie Lam mantém-se no cargo por indicação de Pequim Reuters/THOMAS PETER

Os Estados Unidos anunciaram esta sexta-feira a imposição de sanções à chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, aos actuais e antigos chefes da polícia da cidade e a outros oito dirigentes, pelo seu papel na limitação das liberdades na região administrativa especial chinesa.

“Os Estados Unidos apoiam o povo de Hong Kong”, afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. Explicou que as sanções têm por alvo pessoas que estão a pôr em causa o estatuto de semiautonomia de Hong Kong.

O Departamento do Tesouro dos EUA argumenta que estas dez figuras “puseram em prática políticas que visaram limitar directamente a liberdade de expressão e de reunião e os processos democráticos, e, consequentemente, são responsáveis pela degradação da autonomia de Hong Kong”, lê-se no comunicado de imprensa.

Entre outros, são visados o actual comissário de polícia, Chris Tang, e o seu antecessor no cargo, Stephen Lo, bem como alguns membros do governo local: o secretário de Segurança de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, e Teresa Cheng, secretária de Justiça.

A nova lei de segurança nacional em Hong Kong, imposta por Pequim, permite aos serviços de segurança actuarem com impunidade, “abrindo portas à censura de indivíduos ou organizações que sejam considerados hostis à China”, diz ainda o comunicado do Tesouro norte-americano.

Em vigor desde o dia 1 de Julho, por imposição do Governo central chinês e anuência do executivo do território semi-autónomo – a ele subordinado –, a lei de segurança prevê condenações que podem ir até à prisão perpétua para os crimes de secessão, subversão, terrorismo e conspiração com forças estrangeiras, e já tinha sido aplicada a pelo menos dez pessoas que participaram em protestos de rua no último mês, e a quatro activistas pró-democracia, detidos nas suas casas

“Carrie Lam, como chefe do executivo, é directamente responsável por aplicar as políticas de supressão da liberdade e dos processos democráticas”, explica Mnuchin.

As sanções congelam todos os bens destes responsáveis políticos e proíbem cidadãos e empresas norte-americanas de fazerem negócios com estas entidades. 

No final do mês passado, o governo de Hong Kong anunciou o adiamento, por um ano, das eleições para o Conselho Legislativo, que estavam marcadas para 6 de Setembro, por causa da subida recente de casos de infecção pelo novo coronavírus. Um dia antes, as autoridades eleitorais tinham invalidade as candidaturas de 12 figuras importantes da oposição a Pequim, que pretendiam concorrer.

Os dois episódios foram entendidos pela oposição como uma jogada de Pequim para travar uma reacção eleitoral à imposição da lei de segurança na região administrativa e para conter o entusiasmo da população em redor das candidaturas do movimento pró-democracia – favorito à conquista da maioria no Conselho Legislativo.

A imposição de sanções era esperada desde o fim de Maio, quando Donald Trump anunciou que seria cancelado o tratamento privilegiado concedido a Hong Kong, em resposta à aprovação da lei de segurança nacional para o território.

“Vamos adoptar acções para revogar o tratamento preferencial dado a Hong Kong na qualidade de território aduaneiro e de trânsito separado do resto da China”, afirmou o Presidente dos EUA, na altura. Aos olhos de Washington, Hong Kong deitou de ter autonomia em relação à China.

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