Coronavírus: os centros de rastreio que já existem em Portugal

Porto foi o primeiro distrito com um centro de rastreio drive-through. Lisboa inaugurou dois espaços para testes e quer construir rede de dez unidades. Alguns municípios esperam desenvolver zonas de diagnóstico esta semana.

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Centro de rastreio em Vila Nova de Gaia Nelson Garrido

“Testar, testar, testar”. Ordens dadas no início da semana passada pela Organização Mundial de Saúde, em resposta à propagação do novo coronavírus, depois de, numa primeira fase, as análises a casos suspeitos de infecção se realizarem a conta-gotas. As autarquias e os laboratórios privados do país ouviram os apelos, e, desde então, têm unido esforços para, em articulação com as administrações regionais de saúde (ARS), criar centros móveis de rastreios gratuitos que, ao mesmo tempo, possam fazer um diagnóstico das comunidades locais e aliviar a pressão a que têm sido sujeitos os hospitais públicos.

A Câmara do Porto atirou para cima da mesa a primeira carta, instalando, em parceria com a Unilabs Portugal, um centro de rastreio no Queimódromo, na Estrada da Circunvalação, em modelo drive-through. A ideia, explicada antes do arranque das operações, era que os utentes – que exibissem sintomas e, obrigatoriamente, tivessem sido previamente referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) – fizessem o teste sem sair do carro. Contacto com os profissionais de saúde responsáveis pelo procedimento médico – que, essencialmente, consiste em passar uma zaragatoa pelo nariz – reduzido ao essencial, perímetro de segurança respeitado e capacidade para, consoante a necessidade, realizar cerca de 400 recolhas diárias.

Este é, de resto, o modelo em que têm apostado os diferentes distritos do Norte, até agora, a região do país mais afectada pelo surto de covid-19, que já têm os seus centros de centros de rastreio em funcionamento. Há quase uma semana, o município de Santa Maria da Feira transformou o centro de congressos Europarque – que, com o país em estado de emergência, não está a acolher qualquer tipo de eventos – num espaço para testes de despiste, exemplo que a Câmara de Braga decidiu seguir, ao disponibilizar o parque de estacionamento do Altice Fórum. A meta mínima definida por cada uma das autarquias: 150 testes por dia. Aqui, reforçam, também são “preferencialmente” privilegiados utentes indicados pelo SNS, que precisa de definir uma marcação prévia para a realização destas “consultas”. Isto porque, por mais que todas as indicações sejam escrupulosamente seguidas pelos utentes e ninguém saia do carro, os responsáveis querem evitar os aglomerados que as filas trazem.

Nas duas tendas desde domingo montadas à beira do Estádio do Algarve, há ambição para chegar às 300 recolhas diárias. Também em estilo drive-through, e também com uma indicação clara: utentes que não tenham uma indicação da Linha de Apoio Médico ou da Linha SNS 24 que valide a realização daquele diagnóstico não fazem o teste. Este novo centro de rastreio em Faro é dirigido, sobretudo, a casos menos graves de doentes – que, podendo já apresentar sintomas associados à infecção pelo novo coronavírus, não necessitam de ser hospitalizados.

Quem começa a concentrar um maior número de medidas voltadas para o combate à pandemia é a capital. Esta segunda-feira, 23 de Março, as inaugurações de um espaço para testes na Escola Básica da Quinta dos Frades e de um centro de rastreio móvel no Parque das Nações representaram o início do desenvolvimento de uma rede de dez unidades, que vão espalhar-se pelos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Em parceria com os Laboratórios Germano de Sousa e Joaquim Chaves, Cascais, por outro lado, também já começa a reunir as condições necessárias para, no Centro de Congressos do Estoril e em S. Domingos de Rana, fazer testes gratuitos sujeitos a pré-inscrição. Uma das medidas tidas pelo município como essenciais para fazer frente ao covid-19, depois de implementar uma rede de apoio sénior e abrir centros para pessoas em situação de sem-abrigo.

Ainda à espera

Outros municípios que ainda estão mais atrasados desejam investir nesses testes de diagnóstico o mais rapidamente possível. A Câmara do Peso da Régua, por exemplo, anunciou que espera instalar ainda esta semana um centro de rastreio no Hospital de D. Luís I, que se encontra fechado desde 2016, sublinhando que os exames de diagnóstico vão dirigir-se, fundamentalmente, a casos menos graves. Adelaide Teixeira, presidente da Câmara de Portalegre, avança que está a tentar comprar o material necessário para a realização das análises para, sobretudo, avaliar o estado de pessoas que “estão na primeira linha de combate a esta pandemia”, incluindo aqueles que “trabalham directamente com o público nos diversos serviços ainda em funcionamento”. O Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria também aguarda a chegada de equipamento para abrir cinco áreas de análise e triagem da pandemia em Santarém, Rio Maior, Almeirim, Cartaxo e Coruche.

Viseu quer, ainda esta semana, facilitar no Pavilhão Multiusos o desenvolvimento de um espaço para a colheita de amostras. A autarquia planeia optar pelo modelo drive-through e quer garantir pelo menos 150 testes por dia – se bem que, sublinha, a capacidade de resposta pode vir a aumentar, “caso seja registado um aumento exponencial do número de cidadãos suspeitos”. O plano passa por, tal como se verifica na maioria dos outros casos, despistar a presença do novo coronavírus em pessoas indicadas pelo SNS, mas admite que, se tiver a disponibilidade de recursos para isso, poderá igualmente “receber pacientes referenciados por outras unidades públicas e privadas de saúde”. A câmara tem articulado este processo com a Unilabs, que, para além de estar presente nos centros de rastreio de Porto e Braga, também está a recolher análises no Espaço Mais Grijó, em Vila Nova de Gaia – concelho que, na passada sexta-feira, estreou uma zona de testes na Rua de 14 de Outubro, em Mafamude.

Rastreio por telefone

A ARS do Norte lançou uma linha telefónica para rastrear utentes que apresentem sintomas de covid-19. O serviço pode ser usado por todos os utentes do Agrupamento de Centros de Saúde do Porto Ocidental. Quem contactar o número 220 411 190 é atendido por profissionais de saúde que, se o quadro médico em questão assim o justificar, farão o encaminhamento devido para os centros de rastreio mais próximos.

Texto editado por Ana Fernandes