Aulas de preparação para o parto ajudam as mães a dar à luz naturalmente

As mulheres que frequentaram as aulas tinham, tendencialmente, um nível de escolaridade e de rendimentos mais altos, observam os autores.

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Bonnie Kittle/Unsplash

As mulheres que são mães pela primeira vez e que fazem aulas de preparação para o parto têm maior probabilidade de ter partos normais sem intervenções, sugere um estudo israelita onde foram avaliadas 300 mulheres que deram à luz o seu primeiro filho, num hospital local.

Os investigadores descobriram que aquelas que participaram em aulas de preparação para o parto, que tiveram informação sobre tratamento da dor e problemas pós-parto tiveram maior probabilidade de ter partos vaginais normais e menos de usar ventosas ou fórceps. Segundo a mesma investigação, publicada na Revista Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, outros estudos anteriores já tinham demonstrado que, entre as mulheres com medo ou ansiedade relativamente ao parto, as aulas de preparação estavam associadas a taxas mais baixas de parto por cesariana, maior oportunidade de amamentação e menor risco de depressão pós-parto, observa a equipa do estudo, liderada por Ohad Gluck, do Centro Médico Edith Wolfson em Holon, Israel

Para verificar se as aulas também ajudam as mulheres que fazem uma gravidez saudável e sem ansiedade, Gluck e colegas observaram os registos médicos de 318 mães pela primeira vez que tiveram partos a termo de 2014 a 2017, incluindo 159 que participaram em cursos de preparação para o parto. O curso, composto por duas sessões de três horas, realizado após a 30.ª semana de gestação, é voltado para ambos os progenitores, pai e mãe da criança. É ministrado por uma parteira hospitalar certificada e realizado em pequenos grupos de até sete casais, escrevem os autores do estudo. As aulas incluem palestras, instruções e demonstrações em vídeo, sessões práticas e visitas à maternidade.

Os autores compararam as mulheres que participaram nas aulas com outras 159 mães de primeira viagem que não tiveram aulas, mas que deram à luz no mesmo hospital. Foi ainda visto a idade e o peso gestacional dos bebés. Para a análise, os autores tiveram em consideração factores que poderiam influenciar o parto, como a idade, peso, complicações na gravidez, nível de escolaridade e nível socioeconómico das mães.

Quase 81% das mulheres que assistiram às aulas tiveram partos vaginais normais, contra 59% das do grupo de comparação. Além disso, apenas 12 mulheres que participaram das aulas precisaram de uma intervenção durante o parto, em comparação com 36 que não participaram nas aulas e precisaram. As taxas de cesarianas foram semelhantes nos dois grupos.

As mulheres que frequentaram as aulas tinham, tendencialmente, um nível de escolaridade e de rendimentos mais altos, observam os autores. Isso pode indicar que as mulheres mais abastadas estão mais conscientes da existência de aulas de preparação para o parto. 

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