Thomas Cook: Hoteleiros algarvios exigem fundo de compensação com 15 a 20 milhões

A falência do operador britânico, diz a associação hoteleira algarvia, criou uma “indefinição” que se estende ao mercado alemão e a região algarvia está a sofrer as consequências.

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Reuters/UMIT BEKTAS

Os hoteleiros algarvios reclamam a criação de um Fundo de Compensação para fazer face aos prejuízos causados pela falência do operador turístico Thomas Cook. O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, defende que o “fundo, no valor de 15 a 20 milhões, destina-se a responder às necessidades que as empresas enfrentam”. O problema, no entender dos hoteleiros, não se pode limitar ao mercado britânico, porque o grupo estava representado – ainda que indirectamente - noutros mercados externos igualmente importantes para a região, nomeadamente a Alemanha e a Holanda

Elidérico Viegas acha que a dimensão e consequências da liquidação de um dos principais agentes de viagens low cost deixa o Algarve e o país numa “situação muito difícil, na medida em que as empresas ficam com milhões de euros de facturas por cobrar”. Em causa, sublinha, “não está apenas a falência da Thomas Cook inglesa”. As companhias que fazem parte do grupo, operando para o Algarve a partir da Alemanha e outros destinos, “encontram-se numa situação de indefinição e podem vir também a fechar portas, por arrastamento”. A seguir ao Reino Unido, a Alemanha é considerada como o segundo mercado externo mais importante para a região algarvia.

O aeroporto de Faro movimenta 8 milhões e 800 passageiros, sendo a Thomas Cook responsável por uma percentagem diminuta. O presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes refere que estarão em causa 20 mil turistas por ano. “Compreendo que se queira aligeirar o problema, mas a verdade é que as repercussões são muito maiores do que as entidades oficiais estão a fazer crer”, enfatiza Elidérico Viegas, lembrando que se aproxima a época baixa do turismo, altura em que muitas unidades hoteleiras lutam com dificuldades de tesouraria para manter a porta aberta, com serviços mínimos. Além disso, sublinha o dirigente associativo, “os meses de Julho e Agosto representam cerca de 50 por cento da facturação dos hotéis, e os que trabalham com o operador inglês vão ficar com as facturas por cobrar”. 

A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), entretanto, está a proceder a inquérito junto dos sócios, e das 12 respostas recebidas, diz Elidérico Viegas, “confirma-se que os prejuízos ascendem a milhões”. 

Entretanto, dos cerca de 500 turistas directamente afectados, no Algarve, pelo colapso da Thomas Cook, o presidente do Turismo do Algarve revelou ao PÚBLICO que esta terça-feira já embarcaram cerca de 140 num avião fretado pelas entidades britânicas que estão a coordenar o maior repatriamento de civis em tempos de paz.

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