Banco de Portugal antevê descida mais lenta do desemprego

Previsões de crescimento económico apenas com alterações ligeiras, mas no emprego aumentam os sinais de que o espaço para novos ganhos pode estar a chegar ao fim. Em compensação, salários podem subir.

Foto
Nuno Ferreira Santos

O Banco de Portugal manteve, esta quarta-feira, praticamente sem alterações as suas previsões de crescimento da economia portuguesa, mas espera agora um ritmo mais lento de redução do desemprego, numa altura em que já vê sinais de que os ganhos registados no mercado de trabalho em Portugal nos últimos anos podem começar a estar a chegar ao fim.

No boletim económico de Junho, a entidade liderada por Carlos Costa continua, tal como tinha feito em Março, a apontar para um crescimento de 1,7% durante este ano, um valor que representa um abrandamento face aos 2,1% do ano passado e que fica ligeiramente abaixo dos 1,9% previstos pelo Governo. Para o próximo ano, o banco antevê novo abrandamento, para uma taxa de variação de 1,6% (em Março antecipava 1,7%), valor que se repete para 2021.

Mas se a projecção de abrandamento da economia é quase a mesma que tinha sido feita em Março, já em relação ao mercado de trabalho, o Banco de Portugal mostra agora menos confiança em relação à capacidade do país para manter o ritmo forte de redução do desemprego.

A previsão é agora de uma redução da taxa de desemprego de 7% em 2018 para 6,3% este ano, quando em Março esperava uma queda mais forte para os 6,1%. Para 2020, o banco central projecta agora uma descida para 5,7%, quando antes previa que poderia chegar aos 5,5%.

O mesmo cenário é visível nas previsões de crescimento do emprego, que para este ano é de 1,3%, quando em Março se apontava para 1,5%.

Por trás desta revisão em baixa das expectativas para a evolução do mercado de trabalho está a conclusão, por parte do Banco de Portugal, de que a taxa de desemprego portuguesa já está abaixo do seu valor natural, um nível teórico calculado pelos economistas para a taxa de desemprego que não cria, por via de aumentos salariais excessivos, pressões inflacionistas.

De acordo com os cálculos do Banco de Portugal, esta taxa de desemprego natural está neste momento em Portugal acima dos 7%, tendo por isso passado a ficar acima da taxa de desemprego efectiva a partir de 2018. Este é um dos sinais de que começa a haver limitação ao nível da oferta de mão-de-obra, que permitam que o emprego continue a crescer mais rapidamente. “Ao longo do horizonte de projecção antevê-se que o emprego continue a aumentar, embora a um ritmo progressivamente mais moderado, reflectindo a maturação do ciclo económico e o aumento das restrições ao nível da oferta de trabalho”, afirma o relatório do Banco de Portugal.

Pela positiva para os trabalhadores, estas restrições na oferta de trabalho podem contribuir para que os salários registem actualizações mais elevadas. O banco prevê “uma aceleração dos salários” no período compreendido entre 2019 e 2021, com variações nominais em torno de 3%, quando entre 2014 e 2018 esse valor não passou de 1%.