O PS gosta mais de Marcelo do que a direita

Presidente da República tem 95% de avaliações positivas e uma avaliação média de 15,8 valores. CDS é o partido que lhe dá nota mais baixa.

Marcelo pode ter beneficiado do silêncio durante a crise pol+itica
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Marcelo pode ter beneficiado do silêncio durante a crise política Miguel Manso

Ao fim de três anos e (quase) três meses de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa continua com uma popularidade estratosférica. Entre os 1882 inquéritos válidos nesta sondagem, 95% dão-lhe uma avaliação positiva, com uma nota média de 15,8 valores, numa escala de zero a 20.

Apenas 5% do total da amostra o avaliam com nota inferior a 10 e a avaliação média que obteve neste estudo em pouco difere da avaliação que tinha numa outra sondagem da Cesop com a mesma questão. Em Novembro de 2016, oito meses depois de entrar em funções, era avaliado com uma nota média de 16,3 valores.

Curiosa é ver a distribuição de avaliações entre o eleitorado dos diferentes partidos. É entre os simpatizantes do PS que Marcelo Revelo de Sousa obtém a nota mais alta (16,7 valores em 97% de avaliações positivas), seguidos de perto pelos apoiantes do PSD, que o avaliam com 16,3 (entre os 96% que lhe dão nota positiva). É entre os centristas que o Presidente conta com notas mais baixas (15 valores, 93% de avaliações positivas). Os apoiantes do BE e da CDU fazem uma avaliação idêntica: 15,8 de nota.

É entre as mulheres e a população com mais de 65 anos que Marcelo recolhe maior aprovação. Elas atribuem-lhe uma nota de 16,3, enquanto os homens se ficam pelos 15,3. Já nas variações de décimas que se verificam ao longo da escala etária, são os seniores (mais de 65 anos) que lhe dão nota mais alta: 16,7.

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Estes índices de popularidade encaixam-se na tendência que tem vindo a ser registada nas diferentes sondagens divulgadas desde o início do ano. Em Janeiro, o barómetro da Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã dava-lhe uma nota média de 15,9 numa escala de zero a vinte, mas era a nota mais baixa desde Maio de 2018 naquele estudo de opinião, altura em que contava com 18,3. Em Novembro do ano passado, Marcelo atingia a nota de 17 valores verificada pela mesma empresa.

Essa queda acentuada verificada pela Aximage não tinha, no entanto, paralelo no barómetro político que então a Eurosondagem fazia de dois em dois meses para a SIC-Expresso, em que a popularidade de Marcelo se manteve, ao longo de 2018, bastante estável, variando entre 71,7% e 73% de avaliações positivas.

A mais recente sondagem sobre a popularidade do Presidente foi divulgada no passado sábado pelo Expresso e SIC, feita pelo centro de estudos do ICS-ISCTE, e dava-lhe uma nota de 7,8 numa escala de zero a 10 - se duplicarmos a escala, atingimos os 15,6 (duas décimas a menos que a da Cesop-UCP). E no barómetro da Aximage revelado a 13 de Maio, recebia uma avaliação de 15,3.

Talvez se possa concluir que Marcelo Rebelo de Sousa beneficiou, nestas últimas sondagens, do silêncio a que se remeteu durante a semana em que pairou sobre o país o espectro de uma crise política. Durante dez dias, desde que António Costa ameaçou demitir-se por causa da votação do tempo de serviço dos professores (3 de Maio), até ao passado dia 13, o Presidente manteve uma agenda muito discreta e nem por uma vez falou aos jornalistas. Quando falou, explicou por que o fez para que todos percebessem. Pelos vistos, perceberam.