Assange pode ser extraditado para EUA, depois de ser condenado a 50 semanas de prisão

Australiano foi condenado por violar termos da liberdade condicional, e na quinta-feira, enfrentará a primeira audição do pedido de extradição apresentado pelos EUA.

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A primeira imagem de Julian Assange depois da saída da embaixada do Equador Reuters/HANNAH MCKAY

O fundador da WikiLeaks, Julian Assange, foi condenado esta quarta-feira no Reino Unido a 50 semanas de prisão por ter violado o regime de liberdade condicional, quando há sete anos se refugiou na embaixada equatoriana em Londres. Es pode vir a ser extraditado para os Estados Unidos: na quinta-feira, tem de comparecer na primeira audição em tribunal onde será apreciado esse pedido.

Assange foi retirado da embaixada no mês passado pela polícia, com a anuência das autoridades equatorianas. A polícia britânica deteve-o pela violação das condições de liberdade sob fiança – em 2012, a justiça britânica decidiu extraditá-lo para a Suécia, para responder a acusações de abuso sexual, mas Assange procurou refúgio na representação diplomática equatoriana. A justiça sueca deixou em aberto a possibilidade de Assange vir a cumprir pena nos EUA.

O grande receio de Assange – que se notabilizou pela revelação maciça de segredos de Estado dos EUA – era que a Suécia o extraditasse para ser julgado pela justiça norte-americana, onde enfrenta acusações de conspiração para penetrar na rede de computadores do Pentágono; de ajudar um soldado do exército (então Bradley Manning, hoje, após uma cirurgia de mudança de sexo, Chelsea Manning) a fazer o download ilegal de informação classificada em 2010, a maior parte sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, que a Wikileaks de Assange tornou pública. Julian Assange, um cidadão australiano de 47 anos, nega estas acusações.

Os EUA não o acusaram ao abrigo da Lei da Espionagem por publicar segredos do Governo norte-americano - o que em último caso poderia acarretar uma condenação à pena de morte. Assange é acusado, em vez disso, de conspirar para se introduzir ilegalmente em computadores, baseando-se no acordo com Manning para deslindar uma parte do código que lhe permitiria aceder a uma rede militar usando a identifidade de outro utilizador, explicar o New York Times.

O tribunal de Londres rejeitou nesta quarta-feira os argumentos da defesa de Assange, incluindo uma carta em que lamentou a sua decisão. “Aproveitou-se da sua posição privilegiada para violar a lei e anunciou internacionalmente o seu desrespeito pela lei deste país”, afirmou a juíza Deborah Taylor, de acordo com a Press Association.