Felicity Huffman vai declarar-se culpada no escândalo de acesso a faculdades

A actriz da série Donas de Casa Desesperadas pede desculpa à “comunidade educativa” e afirma que a filha não tinha conhecimento do esquema. Felicity Huffman integra um grupo de 14 pessoas que vão declarar-se culpadas no caso “Operation Varsity Blues”.

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A actriz de "Donas de Casa Desesperadas" apareceu em tribunal para uma sudição, no início de Abril Reuters/Brian Snyder
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A actriz de "Donas de Casa Desesperadas" apareceu em tribunal para uma sudição, no início de Abril Reuters/GRETCHEN ERTL

Felicity Huffman faz parte do grupo de 14 pessoas que vão declarar-se culpadas no caso de fraude no acesso a universidades de elite norte-americanas. Num comunicado, citada pela BBC, a actriz de 56 anos pede desculpa à família e à “comunidade educativa”, em particular aos “estudantes que trabalham arduamente todos os dias para entrar na faculdade e aos seus pais que fazem sacrifícios tremendos”.

O escândalo envolve cerca de meia centena de pessoas, incluindo pais e treinadores de universidades de topo, acusados de terem aceitado subornos milionários para garantir a entrada de estudantes a universidades como Yale, Stanford e Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Trata-se, segundo a revista Time, do maior caso de fraude em entradas na universidade que alguma vez passou pelo departamento de justiça. 

Felicity Huffman, por exemplo, foi acusada de ter pago 15 mil dólares (13,3 mil euros) — disfarçados de contribuição de caridade — a um consultor para que este inflacionasse o resultado do teste de SAT da filha mais velha. Mais tarde, terá tentado o mesmo esquema com a segunda filha, acabando por desistir. Esse consultor, Willam Rick Singer, declarou-se culpado já a 12 de Março — o mesmo dia em que a investigação foi tornada pública — de crimes como extorsão, segundo a revista Time. De acordo com a publicação, este terá inclusive gravado conversas que manteve com alguns pais, após ter aceitado colaborar com os investigadores, na esperança de ver a pena reduzida.

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Um esboço de Felicity Huffman na primeira audição em tribunal, a 13 de Março, um dia após ser tornada pública a investigação REUTERS/Mona Edwards

“Aceito completamente a culpa que tenho, com profundo arrependimento e vergonha em relação ao que fiz, aceito responsabilidade total pelas minhas acções e vou aceitar as consequências que provenham dessas acções”, afirma agora Huffman. Nesse mesmo comunicado, sublinha que a filha não tinha conhecimento do esquema. “Eu traí-a. Vou carregar esta transgressão contra ela e o público para o resto da minha vida.” O marido da actriz, o actor William H. Macy, não está indiciado de nenhum crime.

De acordo com a CNN, a actriz poderá ter até 20 anos de prisão. Em troca pela admissão de culpa, os procuradores ligados ao caso aceitaram recomendar uma pena menor, uma multa de 20 mil dólares (17,7 mil euros) e 12 meses de pensa suspensa. Além disso, não farão mais acusações.

Entre as pessoas envolvidas no caso ao qual o FBI atribuiu o nome “Operation Varsity Blues”, além de uma série de altos executivos, está também a actriz Lori Loughlin — conhecida pela participação na série de televisão dos anos 1990 Full House. Juntamente com o marido, Mossimo Giannulli, é acusada de ​ter pago mais de 500 mil dólares em subornos para garantir o acesso das duas filhas à Universidade do Sul da Califórnia. A mais nova, Olivia Jade Giannulli, é uma estrela de Youube com quase dois milhões de seguidores. Na sequência do escândalo, foram recuperados vídeos onde esta admite que, na verdade, não quer saber da faculdade para nada.

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A actriz Lori Loughlin e o marido, o designer Mossimo Giannulli, estiveram na semana passado em tribunal REUTERS/BRIAN SNYDER

Loughlin and Giannulli não estão, até agora, entre os pais que se declararam culpados. Segundo o ex-procurador Adam Citron disse à revista Time, poderão estar à espera de conseguir chegar a um acordo mais favorável com as autoridades, assim que a atenção mediática à volta do caso diminua. Tendo em conta que pagaram valores bastante superiores ao de outros pais, estão também sujeitos a sanções maiores. Ao mesmo tempo, Citron, um advogado nova-iorquino, afirma à revista que os procuradores estão “provavelmente a tentar fazer deles um exemplo” e por isso admite que possivelmente não terão o mesmo acordo que outros acusados tiveram.

Apesar de as autoridades afirmarem acreditar que a maioria dos estudantes envolvidos no caso não estariam cientes do processo fraudulento que facilitou a sua entrada, a Universidade do Sul da Califórnia declarou que poderá expulsar os estudantes ligados ao escândalo, informando que já “bloqueou as contas de estudantes que podem estar associados ao suposto esquema fraudulento de admissão”.

A entrada dos estudantes na faculdade com a ajuda da Edge College & Career Network (cujo fundador é William Rick Singer) era garantida de uma série de formas. Em certos casos, os pais afirmavam que os filhos tinham uma incapacidade, inventando depois uma desculpa para que os estudantes realizassem o exame de admissão em instalações específicas, onde estariam funcionários envolvidos no esquema, que deixavam os alunos copiarem ou realizavam mesmo o exame por eles. Houve ainda casos em que se criaram perfis atléticos falsos para que os candidatos conseguissem bolsas de estudo para desportistas.