Euribor em forte alta após alerta do BCE para subida “significativa” das taxas

A taxa Euribor a 12 meses está quase nos 3% e a de seis meses também subiu de forma expressiva, fixando novo máximo desde 2009. Mais famílias poderão ter de pedir renegociação dos contratos.

Foto
Cenário de subida das taxas de referência para os empréstimos à habitação agravou-se Adriano Miranda

O Banco Central Europeu (BCE) suavizou o aumento das suas taxas de juro, mas dramatizou o discurso sobre novas subidas “significativas” no futuro próximo e a consequência imediata foi um “salto” nos prazos mais longos da Euribor, aquela a que está associada grande parte dos empréstimos à habitação das famílias. Um aumento mais significativo das taxas de juro deverá “obrigar” mais famílias a pedir a renegociação dos contratos, de forma a reduzir as prestações.

Na sessão desta sexta-feira, a taxa a 12 meses subiu 0,126 pontos, para 2,993%, muito perto dos 3%, e novo máximo desde Janeiro de 2009. E o prazo a seis meses também avançou mais 0,076 pontos, para 2,569%, máximo de quase 14 anos.

Apenas a Euribor a três meses, a que mais tem subido nas últimas semanas, recuou ligeiramente (0,015 pontos), para 2,047%, depois de há dois dias ter fixado novo máximo desde Fevereiro de 2009. Este prazo mais curto foi o que mais subiu nas últimas semanas, e deverá reduzir a diferença face ao prazo mais longo com alguma rapidez.

A confirmar que a ligeira correcção na Euribor a três meses não tem relevância está o comportamento do mercado de futuros, onde logo após as declarações da presidente do BCE, Christine Lagarde, o movimento imediato foi de subida.

Aquele instrumento financeiro não se aplica directamente nos contratos à habitação, mas antecipa a evolução esperada, e o contrato de Março de 2023 apresentava ao início da manhã desta sexta-feira um valor de 2,995% e o de Junho já acima de 3,3%. Há dois dias, a expectativa era que a Euribor a três meses, a única para que há este instrumento financeiro, não atingisse os 3% ao longo de 2023, embora ficasse muito próximo desse valor.

Nos contratos à habitação utiliza-se a média mensal das Euribor, fixadas no mercado interbancário, a partir das taxas a que um conjunto de bancos está disponível para emprestarem dinheiro entre si. E estas taxas acompanham muito de perto, neste momento acima, as decisões do BCE.

A subida mais expressiva das taxas Euribor vai agravar a prestação dos empréstimos à habitação nos próximos meses, à medida que vão sendo revistos, e dificultar ainda mais o acesso a novos créditos para este fim.

Os contratos a rever nos próximos meses, e especialmente os que estão associados à Euribor a 12 meses, vão sofrer agravamentos muito acentuados. Isto porque as últimas revisões ainda foram feitos a taxas negativas.

O aumento, acima do esperado, das taxas Euribor, a que estão associados cerca de 90% dos empréstimos à habitação existentes em Portugal, pode levar mais famílias a pedir a renegociação dos contratos, ao abrigo do Plano de Acção para a Prevenção do Incumprimento (PARI), que foi recentemente melhorado, ou a amortizar capital, se tiver poupanças.

Como se esperava, a subida das taxas de referência foi de 0,5 pontos percentuais, abaixo das de 0,75 pontos percentuais de Setembro e de Outubro, mas o discurso relativamente à preocupação com a inflação foi substancialmente mais duro.

“Não só vamos subir mais as taxas de juro, como também decidimos hoje que ainda vão ter de subir de forma significativa e de forma regular”, afirmou Christine Lagarde, admitindo que poderão “subir as taxas de juro a um ritmo de 0,5 pontos percentuais [em cada reunião] por um período longo”.

A taxa do BCE para refinanciamento (a taxa a que concede liquidez aos bancos comerciais) está agora em 2,5% e a taxa de juro de depósito (a taxa a que remunera os depósitos feitos pelos bancos no BCE) em 2%.

Sugerir correcção
Ler 2 comentários