Três presidentes na Pensilvânia a provar a importância destas eleições

Com Bill Clinton em Nova Iorque, quatro dos seis presidentes vivos estiveram em campanha no sábado à noite. “Na terça-feira, vamos garantir que o nosso país não retrocede 50 anos”, pediu Obama.

partido-republicano,partido-democrata,donald-trump,eua,mundo,america,
Fotogaleria
Donald Trump Reuters/MIKE SEGAR
partido-republicano,partido-democrata,donald-trump,eua,mundo,america,
Fotogaleria
Obama animou a assistência WILL OLIVER/EPA
partido-republicano,partido-democrata,donald-trump,eua,mundo,america,
Fotogaleria
Obama e Biden partilharam o palco KEVIN LAMARQUE/Reuters

O que tem a Pensilvânia para que este fim-de-semana ali tenham coincidido o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o seu antecessor, Donald Trump, e o chefe de Estado que teve Biden como “vice” e mantém uma popularidade superior à sua? Como noutras eleições, tem o estatuto de swing state, podendo votar republicano ou democrata na terça-feira. Tem também Mehmet Oz, o médico-celebridade escolhido pelos republicanos para enfrentar o até agora vice-governador democrata John Fetterman na corrida ao Senado. “Pensem nisso, o que ele está a dizer é que, se perder outra vez, precisa dele para desequilibrar a balança”, pediu Barack Obama no seu primeiro comício de sábado.

“Ele” é Donald Trump, que fez da campanha para as eleições intercalares o primeiro passo da sua candidatura às presidenciais de 2024, usando-a para insistir na tese de que as presidenciais de 2020 lhe foram roubadas. E porque é que ele precisa “dele”, ou seja, de Oz? De acordo com um livro da jornalista do New York Times Maggie Haberman, Trump disse aos seus conselheiros que precisa de gente como Oz caso queira contestar uma vez mais os resultados ou num cenário em que, depois do seu regresso à Casa Branca, o Partido Democrata voltasse a tentar um processo de destituição (impeachment).

Sublinhando que “amuar e lamentar não é uma opção”, o ex-Presidente Obama fez tudo para sublinhar a importância de ir às urnas: “Na terça-feira, vamos garantir que o nosso país não retrocede 50 anos”, afirmou aos democratas reunidos em Pittsburgh.

“A verdade e os factos e a lógica e a razão e a simples decência vão a votos”, afirmou, já em Filadélfia, no palco da Universidade Temple, que partilhou com Biden. “A própria democracia vai a votos. Há muito em jogo!”, sublinhou. “Percebo que a democracia não pareça uma prioridade neste momento, quando os preços do gás estão caros e as contas da mercearia altas”, disse ainda Obama. “Mas deixa-me dizer-te uma coisa, Pensilvânia, já vimos na história, já vimos em todo o mundo o que acontece quando desistimos da democracia.”

Biden, por seu turno, enumerou os sucessos da primeira metade do seu mandato, como algumas medidas de prestação de cuidados de saúde (incluídas na Inflation Reduction Action, o maior pacote legislativo dedicado ao clima na história do país), populares entre pessoas mais velhas. Defendeu que esta eleição é “uma escolha”, e não um “referendo” ao partido, avisando que direito de voto, acesso ao aborto, segurança social e o programa de saúde estatal Medicare estão em risco se o Partido Republicano passar a controlar o Congresso.

A assistência gostou do que ouviu, gritando e aplaudindo efusivamente. “Esta multidão é tão barulhenta que acho que nos podem ouvir em Latrobe”, disse Biden, referindo-se à cidade onde horas depois Donald Trump teria o seu comício.

Foi a bordo do seu Air Force Trump (como é conhecido o Boeing 757 que usava na campanha de 2016 e que agora recuperou) que Trump chegou ao Aeroporto Regional Arnold Palmer, onde milhares de apoiantes o esperavam com enormes bandeiras em que se lia “Trump ganhou” ou “Leões, não cordeiros” e cantavam “Let’s go Brandon” (grito que os republicanos usam para insultar Biden) ou “Lock her up!” (Prendam-na!), com Hillary Clinton ainda e sempre na memória.

“Prometo-vos, muito, muito, muito em breve, vocês vão ficar tão felizes”, afirmou Trump à multidão, referindo-se à sua candidatura oficial às próximas eleições para a presidência. “Não o quero fazer agora, não porque não gostasse de o fazer, mas porque quero que esta noite se concentrem no dr. Oz e em Doug Mastriano”, o senador que se candidata ao cargo de governador, justificou, num discurso em que as permanentes interrupções (com gritos de apoio) ajudaram a prolongar por duas horas.

Na terça-feira, quando os norte-americanos votarem para definir o controlo do Congresso, vão decidir mais do que isso. E é por isso que, para além de Biden, Obama e Trump, também Bill Clinton esteve em campanha no sábado à noite, em Nova Jérsia, onde pediu aos eleitores que parem de “recompensar a má conduta deliberada, destrutiva e divisora” dos republicanos.

Sugerir correcção
Ler 2 comentários