O Dr. Oz tem 48 anos mas diz ter um corpo de 37

O cirurgião que Oprah tornou estrela mundial ensina a rejuvenescer
e oferece-se a si mesmo como exemplo a seguir. Começa o dia com uma saudação ao Sol e quando está na sala de operações a fazer cirurgias
de bypass lamenta que o paciente não tenha seguido os seus conselhos.

É um paradoxo. Mehmet Oz é um cirurgião cardiovascular que passa a vida a operar artérias entupidas por estilos de vida pouco saudáveis. Mas tornou-se numa estrela mundial a pregar sobre o que fazer para evitar adoecer. E viver até aos 100 anos, com boa saúde. A trilogia You, livros de auto-ajuda em saúde que assina com o seu colega mais discreto Michael Roizen, também está a ser um sucesso de vendas em Portugal, com quase 85 mil exemplares vendidos (Editora Lua de Papel). A isso ajuda a sua presença regular nos programas televisivos de Oprah Winfrey, mostrando ao vivo órgãos humanos carcomidos pela doença - pulmões enegrecidos pelo tabaco e pelo cancro, intestinos deformados pela obesidade - que são consequência de não seguir as suas lições de juventude. O que vale, sublinha numa entrevista telefónica, é que temos muito poder sobre o estado em que está o nosso corpo.

Desenvolveram o conceito de idade real em contraste com a idade cronológica. Quem se porta bem pode rejuvenescer até 15 anos. Qual é a sua idade real?Tenho 48 anos, mas a minha idade real é 37 anos. Sou 11 anos mais novo do que a minha idade cronológica.

Tem a sua receita pessoal?Faço sete minutos de ioga de manhã, incluindo o exercício da saudação ao Sol. Tente, tente fazer ioga! É um instrumento eficaz que eu recomendo a todas as pessoas. Como cirurgião preciso de dominar técnicas de relaxamento do pescoço e costas porque fico muito tenso quando estou a operar. Corro duas a três vezes por semana e nesses dias também levanto pesos.

Considera-se um exemplo a seguir?Eu aconselho as pessoas. Se elas olharem para mim e virem que eu não sou saudável, então é porque não tenho a solução. Com o meu exemplo, mostro às pessoas como podem fazer para ter a minha energia, o meu aspecto. E o que eu faço não tem nada de mágico. O [actor americano] Sidney Poitier ligou-me há uns meses e disse-me que gostava do que eu dizia mas que ele andava a fazer aquilo ainda eu não tinha nascido. O Sidney Poitier tem óptimo aspecto, porque ele pratica isto tudo há 50 anos. As lições que tento partilhar não são novas, muitas delas já as ouvimos da boca das nossas mães.

O facto de ser médico dá-lhe uma autoridade especial? É por isso é que se apresenta sempre no programa de Oprah com a sua farda de cirurgião? As pessoas dão mais valor às informações que vêm de um perito. Eu passei a minha vida toda a abrir pessoas para operar corações e eu adoro o que faço, mas há que dizer que muito podia ser evitado se os doentes tivessem comportamentos diferentes e acho que isso é um grande desafio. Pela primeira vez na história do mundo ocidental os nossos filhos vão viver menos que os seus pais e temos de dar a volta a isto recordando a importância que a comida tem. Quando entramos numa mercearia, deveria ser como se entrássemos numa farmácia, como se os alimentos fossem medicamentos.

Tratar a comida como um medicamento não é ir longe de mais? Isso não tira espontaneidade ao acto de comer?Eu não estou a tentar tornar a comida num sacrifício. A mensagem é a de que o segredo está na comida. É preciso rejeitar comida barata mas de má qualidade, a comida de lixo que tantas pessoas na América e na Europa estão a comer e essa é que está a trazer problemas. Eu como muito bem, comida rica, a minha mulher cozinha muito bem e é vegetariana.

Os seus conselhos pressupõem uma enorme disciplina de vida. O excesso também faz parte da vida, certo?Tudo bem, eu não sou um nazi da comida. Se as pessoas quiserem embebedar-se de vez em quando, fumar um cigarro de vez em quando, fazerem excessos, isso é bom, essa espontaneidade traz-nos saúde emocional. Se o seu hábito é ser bem-comportado a maior parte do tempo e mal comportado de vez em quando, tudo bem, mas a maioria das pessoas só se porta bem uma vez por semana e nos outros seis dias não dorme bem, não faz exercício, não come bem.

Os livros sobre prevenção de doenças já existem há muito tempo. O que é que a colecção You traz de diferente? A primeira diferença é que tentamos que sejam divertidos. As pessoas têm medo da saúde e nós tentamos que as pessoas se divirtam. Outra coisa que fazemos é, em vez de dizer às pessoas "viva mais", sugerimos coisas para que se sinta melhor hoje - viver mais tempo é um efeito secundário de fazer as coisas certas agora, mas não pomos o enfoque na longevidade. Por exemplo, dizemos às pessoas para fazerem mais exercício, o que leva a que tenham melhor aspecto, músculos melhores, melhor sexo e, por norma, as pessoas que fazem exercício vivem mais tempo. A razão para fazer as coisas certas está no presente e não no futuro. Há pessoas em todo mundo que sabem o que devem fazer mas não o fazem e nós tentamos levá-las a compreender por que é que devem fazer determinadas coisas. Quando as pessoas percebem, tendem a aplicar mais.

Diz que não põem o enfoque no prolongamento da vida, mas essa promessa está presente: repete-se que as pessoas podem acrescentar 35 por cento à sua esperança média de vida. Queremos acrescentar vida aos seus anos e não apenas anos à sua vida. Por exemplo, nós dizemos às pessoas que se controlarem a sua hipertensão arterial isso terá um grande impacto na sua longevidade porque essa é a causa número um de envelhecimento. Também lhes dizemos que se não comerem carne apenas, podem ter um acréscimo de meses de vida. A pessoa vai então escolher o que tem mais impacto, que é o controlo da hipertensão e depois pode deixar de comer carne, mas estamos a dar-lhes mensagens comparáveis. Muitas vezes um membro da família é muito receptivo a uma mensagem de saúde e põe-na em prática e os outros membros não ligam nenhuma. Nós não só dizemos o que fazer, mas também como dizê-lo às outras pessoas da sua família ou pessoas na sua vida. Estes livros têm sido bem sucedidos porque os homens também os lêem e eles não costumam ler livros sobre saúde porque não são divertidos, são amargos e tristes. Se conseguirmos mudar o tom, os homens são mais receptivos.

Qual é a proporção de homens que lêem os seus livros?Setenta por cento dos leitores são mulheres mas em livros de saúde a proporção costuma ser 90 por cento de leitoras. São elas as cuidadoras por excelência, tomam conta dos maridos, filhos e pais. Mas, se damos informação às mulheres mas não lhes damos motivação, não lhes dizendo como podem agir de forma diferente, então é mais difícil fazer crescer a mensagem. A mensagem não passa quando é lida, mas sim quando os leitores falam entre eles sobre o que leram.

Como é que se consegue motivação? Sabe-se que, por exemplo, muitas pessoas estão informadas sobre as formas de evitar o contágio do VIH mas têm comportamentos de risco à mesma. Ter informação não basta para mudar comportamentos...Isso consegue-se quando se passa do conseguir interessar as pessoas num tema para o conseguir incomodá-las, chateá-las.

É isso que tenta fazer mostrando os pulmões negros de um fumador ou o fígado danificado de um alcoólico no programa de Oprah? Tenta chocar as pessoas?Eu dou-lhe um exemplo - a apneia do sono e o ressonar. Quando se pergunta quem tem um cônjuge que ressona, cerca de 60 a 70 por cento põem a mão no ar. Pode parecer um tema aborrecido. Como é que eu interesso alguém no tema da apneia do sono? Que é das grandes causas de problemas cardíacos, de privação de sono. Em primeiro lugar, se os maridos ressonam, emitem 85 decibéis de ruído, o que pode levar a perdas de audição. Aí, o ressonar deixa de ser apenas um incómodo para poder ser um risco para a audição. E se eu sugerir que meçam o pescoço dos maridos e se tiver mais de 43 centímetros então isso é sinal de que sofrem quase de certeza de apneia do sono. Dar a