Varíola-dos-macacos: Portugal sobe para 58 casos confirmados

São mais nove casos confirmados esta quinta-feira pela Direcção-Geral da Saúde. Portugal já confirmou que está a participar na compra centralizada de vacinas de terceira geração através da União Europeia.

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Portugal ultrapassou esta quinta-feira a meia centena de casos confirmados de varíola-dos-macacos (também conhecida como vírus monkeypox, ou VMPX). No total, são já 58 casos confirmados em todo o país, com a região de Lisboa e Vale do Tejo como principal foco de pessoas infectados. Esta quinta-feira, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) confirmou mais nove casos, todos estáveis e em acompanhamento clínico.

Todos os casos confirmados até ao momento são homens, a maioria dos quais com idade inferior a 40 anos. Como tem vindo a ser referido, isto não significa que apenas homens são infectados com a doença, visto que existem casos confirmados de mulheres nos Emirados Árabes Unidos ou na Suíça, por exemplo.

A transmissão pode ocorrer por gotículas (como tosse ou espirros) e também por contacto próximo (através do suor ou de contacto sexual). Além destas duas formas de transmissão, o contacto com material que tocou nas feridas provocadas pelas erupções cutâneas também pode conduzir a infecção.

Existem quase 300 casos confirmados em países onde o vírus não é habitualmente encontrado. A maioria dos países está a registar casos de VMPX pela primeira vez na sua história. Espanha anunciou esta quinta-feira mais 25 casos, atingindo 84 confirmados (torna-se o país com maior número de pessoas infectadas, seguida de Reino Unido e Portugal).

É a primeira vez que o VMPX regista casos fora de países endémicos sem que todos os casos tenham histórico de viagens a esses países ou contacto com animais importados.

Os infectados são todos os homens, entre os 26 e os 61 anos, estando estáveis e a receber acompanhamento clínico. Apesar de todas as pessoas infectadas em Portugal serem homens, isso não significa que a doença só afecte a população do sexo masculino. Os casos nos Emirados Árabes Unidos e na Suíça foram confirmados em mulheres, por exemplo, e no anterior maior surto fora do continente africano, em 2003 nos Estados Unidos, a maioria das pessoas infectadas eram mulheres (25 em 47 casos).

A porta-voz da DGS para este surto, Margarida Tavares, confirmou ontem a compra centralizada de vacinas de terceira geração pela União Europeia – um processo no qual Portugal está a participar activamente, de acordo com a infecciologista.

Apesar dos esforços conjuntos dos países-membros, bem como dos planos já anunciados por países como Alemanha, Dinamarca, Espanha, França ou Reino Unidos (no caso britânico, com mil doses de vacinas de primeira geração administradas), o director do Centro de Controlo de Doenças Africano alertou esta quinta-feira sobre a acumulação de vacinas sem necessidade, relembrando o caso da pandemia da covid-19.

Ahmed Ogwell Ouma apontou que a vigilância será aumentada em relação ao VMPX no continente africano e que a prioridade de vacinação deve ser dada “primeiro a profissionais de saúde na linha da frente, depois comunidades afectadas e só depois a população”.

No caso dos países europeus que já definiram planos, como a Dinamarca, França e Reino Unido, a prioridade será dada aos profissionais de saúde e a contactos de risco. Margarida Tavares, da DGS, dizia esta quarta-feira ao PÚBLICO que o cenário mais provável em Portugal será de vacinar “pessoas que possam ser expostas e ter um risco acrescido, como, por exemplo, doentes imunocomprometidos ou profissionais de saúde”. A infecciologista afirmou ainda que os responsáveis nacionais e europeus estão a colaborar “para todos os países terem acesso e não se desperdiçarem [vacinas]”.

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