Preço do petróleo atinge valor mais alto em três anos

Retoma mundial e escalada de preços no gás natural impulsionam o preço do barril de Brent para cima de 80 dólares, aumentando a onda inflacionista.

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Reuters/Daniel Becerril

O preço do barril de petróleo ultrapassou os 80 dólares nesta terça-feira, atingindo um novo máximo pelo segundo dia consecutivo. É o valor mais alto em três anos, no que toca ao Brent (transaccionado em Londres e a principal referência para o valor de mercado do crude produzido no mar do Norte), acentuando a ameaça de uma escalada inflacionista que já paira sobre numerosas economias devido à subida contínua dos preços na energia.

A perspectiva de uma retoma mundial pós-pandemia gera, por sua vez, a expectativa de uma procura em crescimento superior à oferta, sobretudo na aproximação ao Inverno, o que está a empurrar o preço do crude para cima. 

O mesmo tem acontecido noutras fontes energéticas. O gás natural na Europa e a electricidade seguem em alta, tal como o preço das licenças de carbono.

Nesta terça-feira, nos mercados asiáticos, houve mais subidas no preço de crude, no meio de um cenário de competição entre as indústrias da Europa e da China por fontes de energia para gerar electricidade, dada a alta de preços do gás natural e outras commodities.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que controla 40% da produção global, acredita que a procura de petróleo prevista para 2021 e 2022 se manterá elevada, como ficou escrito no último relatório mensal. E ainda que admita a incerteza face à evolução da pandemia, mantém os cortes de produção decididos em 2020 e que têm contribuído para uma longa e gradual subida dos preços da matéria-prima.

Há um ano e meio, quando o preço do barril WTI atingiu valores negativos devido a circunstâncias excepcionais, o Brent custava cerca de 25 dólares. Dezoito meses depois, esse valor já triplicou. Desde Janeiro, a subida já vai em 55%.

No relatório de Agosto, a OPEP (13 países produtores) salientava que “a recuperação da procura, associada a uma grande queda nos inventários de petróleo (...), provocou uma forte recuperação dos preços, ultrapassando os níveis alcançados antes do início da pandemia de covid-19”. O preço médio do barril de petróleo da OPEP foi de 73,53 dólares em Julho, o mais alto desde Outubro de 2018.

Analistas do Goldman Sachs ouvidos pela agência Bloomberg admitem que, no cenário actual, o preço do barril pode ascender aos 90 dólares até ao final do ano.

Os produtores poderão vir a aumentar a produção diária, visto que a subida do preço do gás natural obriga a substituí-lo por outras fontes energéticas, como o petróleo, o que pressiona ainda mais a procura. Isto para além da retoma do jet fuel, que ainda não aconteceu, mas que, em função da pandemia, pode estar próxima caso o mundo regresse às viagens de avião.