Braço-de-ferro na OPEP+ agrava escalada do petróleo. Subida já vai em 50% este ano

Reunião desta segunda-feira foi adiada. Proposta dos países exportadores de petróleo para aumentar a produção nos próximos meses em risco perante recusa dos Emirados Árabes Unidos em assinar acordo.

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Os representantes dos membros da OPEP+ voltam a reunir-se nesta segunda-feira Reuters/Ramzi Boudina

Os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados (OPEP+) tinham previsto voltar à mesa das negociações nesta segunda-feira para procurar ultrapassar o impasse entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos na definição das quotas de produção ao longo dos próximos meses, mas a reunião foi adiada. Os encontros são considerados determinantes para conter a subida no preço do petróleo que se está a verificar nos mercados.

A cotação do Brent, a principal referência para o valor de mercado do crude produzido no Mar do Norte, aumentou quase 50% desde o início do ano e, depois de conhecido o adiamento da reunião desta segunda-feira, continuou a subir, passando a negociar nos 76,79 dólares por volta das 16h50 (hora de Portugal continental), uma subida de 0,8% em relação ao valor de sexta-feira.

Em Maio de 2020, na sequência da pandemia, os aliados decidiram fazer um corte na produção. Mas, entre os países que mais consomem, há a expectativa de se assistir a um aumento da oferta de petróleo bruto nos mercados para evitar que a subida recente nos preços faça perigar a recuperação económica mundial.

Na última sexta-feira, a OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, votou um aumento da produção em cerca de dois milhões de barris por dia entre Agosto e Dezembro deste ano e, ao mesmo tempo, um prolongamento dos restantes cortes na produção até ao final de 2022, em vez de Abril do mesmo ano, mas os Emirados Árabes Unidos bloquearam o acordo, escreve a Reuters. O impasse poderá atrasar as perspectivas de produzir mais petróleo até ao final do ano com o objectivo de arrefecer os preços mundiais.

Os Emirados Árabes Unidos consideram a proposta injusta, porque entendem que aumentar a produção sob a condição de prorrogar o contrato actual “prolongaria o volume de produção de referência” de 2018 até Dezembro de 2022 e, como consideram que a manutenção nesses valores prejudica os Emirados, pedem que os volumes de referência sejam revistos em alta para assegurar que o nível de produção seja “equitativo para todas as partes”.

O ministro da Energia, Suhail Mohamed Al Mazrouei, afirmou à Bloomberg, que Abu Dhabi é a favor “de um aumento incondicional da produção, que o mercado exige”, mas não da ideia de prolongar o actual acordo até ao final de 2022, que considera “desnecessária agora”.

Do lado saudita, o ministro da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman, insistiu no domingo que o aumento nos próximos meses e o alargamento do acordo de 2018 até ao fim de 2022 é uma garantia de estabilidade, refere a Bloomberg. “É todo o grupo de um lado e um país do outro, o que é triste para mim, mas é a realidade”, reagiu, referindo-se à posição dos Emirados.

Em Portugal, perante o aumento dos preços nos combustíveis, a associação portuguesa de empresas petrolíferas (Apetro) publicou uma nota na última sexta-feira para explicar por que razão, “estando a cotação do petróleo e dos refinados muito abaixo dos valores de pico de 2008, os preços de venda nas bombas são superiores a esse período”.

Comparando valores semanais do início de Julho de 2008 com a última semana de 2021, a associação constata que “a explicação para o aumento do preço está no sobrecusto da incorporação de biocombustível e sobretudo na carga fiscal”.