Nova Iorque e Afeganistão: as marcas do jornalismo do PÚBLICO

Do 11 de Setembro em Manhattan ao remoto Afeganistão, o PÚBLICO procurou levar aos seus leitores os retratos das zonas de conflito e as pistas que pudessem indiciar as linhas de horizonte do futuro. As reportagens dos correspondentes e enviados especiais que agora recuperamos são hoje um magnífico testemunho de um tempo e de um momento crucial do século XXI

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REUTERS/Ray Stubblebine

A poeira, o fumo, a dor e a indignação causada pelos atentados do 11 de Setembro ainda não se tinham dissipado, mas nessa atmosfera de choque e pavor era já possível perceber que o mundo estava a viver um momento de viragem. No imediato, era preciso perceber e dar conta não apenas do que se estava a passar como ler as pistas que pudessem indiciar as linhas de horizonte do futuro. O PÚBLICO assumiu essa responsabilidade e convocou as suas melhores energias e recursos para levar aos seus leitores os retratos do presente nas zonas de conflito e as possibilidades então assustadoras do futuro.

Foi com essa preocupação que Adelino Gomes, um dos mais consagrados repórteres do jornalismo português, partiu para Nova Iorque, onde se juntou à nossa correspondente da altura nos Estados Unidos, Ana Gomes Ferreira. As reportagens de ambos, escritas ainda no clima de uma cidade perplexa e angustiada, são ainda hoje exemplos do poder do jornalismo para abrir as janelas do mundo e para convocar as pessoas para olhar, sentir e perceber o que deixam transparecer.

Num segundo momento, o centro de gravidade da geopolítica e da História desviou-se para o remoto Afeganistão. Também aí era preciso acompanhar os movimentos dos senhores da guerra que enfrentavam o regime de terror dos taliban e, mais tarde, do próprio avanço da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.

Para essa missão, altamente incerta e arriscada, partiram em diferentes momentos Alexandra Prado Coelho, Paulo Moura, Fernando Marques e Alexandra Lucas Coelho, que regressaria ao país em 2008. Também as suas reportagens são hoje um magnífico testemunho de um tempo e de um momento crucial do século XXI. Pela sua intensidade literária, pela humanidade que deixam transparecer, pela coragem e risco que exigiram, estas reportagens fazem igualmente parte do património jornalístico do PÚBLICO.

Foi por isso que decidimos recuperá-las para permitir aos leitores que, por seu intermédio, possam viajar no tempo e regressar a um momento da história cujos abalos continuam a fazer-se sentir.

“Dia de guerra”de Ana Gomes Ferreira, em Nova Iorque, publicada a 12 de Setembro de 2001

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“O mundo que conhecíamos acabou”, de Ana Gomes Ferreira, em Nova Iorque, publicada a 12 de Setembro de 2001

“A América quer o ouro do Afeganistão”, de Fernando Marques, em Peshawar, publicada a 10 de Novembro de 2001

“As 40 horas da tomada de Taloqan”, de Paulo Moura, em Taloqan, publicada a 12 de Novembro de 2001

“Afeganistão. Nascer e morrer em Kandahar”, de Alexandra Lucas Coelho, em Kandahar, publicada a 13 de Julho de 2008

"Do Ground Zero ao vale de Panshir" – fragmentos de memória e actualidade, relato de Adelino Gomes, o primeiro enviado do PÚBLICO aos EUA após o 11 de Setembro