Jean-Paul Belmondo, “tesouro nacional” francês, vai ser homenageado em Paris

Presidente Emmanuel Macron anunciou a realização de uma cerimónia no palácio Les Invalides.

Foto
EPA/IAN LANGSDON

Foi certamente uma resposta à comoção nacional motivada pela morte de Jean-Paul Belmondo (1933-2021): o Presidente Emmanuel Macron anunciou esta terça-feira a realização de uma homenagem ao actor esta quinta-feira no palácio Les Invalides, em pleno centro de Paris, estando o funeral marcado para a manhã do dia seguinte.

Lembrando que o protagonista de O Acossado (Jean-Luc Godard, 1959), mas também de Itinerário de uma Vida (Claude Lelouch, 1988) é, entre os grandes actores franceses, aquele que mais se aproximou do gosto do grande público, Macron notou que todos os franceses se reconheciam nele, no seu brilho e na sua capacidade de rir e de fazer rir. “Era um herói sublime e ao mesmo tempo uma figura familiar”, acrescentou o Presidente francês, que na véspera tinha já lamentado o desaparecimento de um actor que classificou como “tesouro nacional”.

A homenagem nos Invalides vem assim corroborar o sentimento nacional de reconhecimento perante a figura e a carreira de um actor que, para muitos franceses, ficou como “O Magnífico”, numa alusão à sua interpretação no policial com esse título que Philippe de Broca realizou em 1973.

Numa carreira de mais de meio século e perto de nove dezenas de filmes, Belmondo tornou-se, de facto, uma referência do cinema francês (e europeu), que tanto encarnou as personagens sem chão da nouvelle vague, com Godard, Truffaut ou Chabrol, como do cinema de género, e mais popular, de tantos outros cineastas.

Uma carreira que já tinha, de resto, sido devidamente reconhecida e celebrada a nível institucional pelo próprio Emmanuel Macron, quando em 2019 lhe concedeu o grau de Grande Oficial da Legião de Honra, depois de o seu antecessor, François Hollande, o ter também condecorado como Grande Oficial da Ordem Nacional de Mérito.

A anunciada homenagem a Belmondo nos Invalides – um monumento que durante muitos anos foi reservado a louvar os militares mortos pela França, como recorda o jornal Le Parisien – vem suceder-se àquelas que recentemente foram prestadas a outras figuras notáveis do país, como o professor e escritor Jean d’Ormesson (1925-2017), o cineasta Claude Lanzmann (1925-2018) ou o cantor e actor Charles Aznavour (1924-2018).

Entre os que reclamaram esta homenagem nacional, cita aquele diário francês, esteve o delegado geral do Festival de Cannes Thierry Frémaux, que comparou a dívida dos franceses perante Belmondo à relativa ao músico e cantor Johnny Hallyday (1943-2017). “A homenagem a Johnny Hallyday foi muito bonita, muito forte, e Jean-Paul Belmondo não merece menos, mesmo que seja diferente, que seja outra coisa; mas o Presidente da República saberá decidir o quê”, declarou o também director do Instituto Lumière em Lyon, manifestando a crença (e a necessidade) de que se continuará a falar do actor daqui a um ano como daqui a cem anos”.