Sondagem: vitória folgada de Rui Moreira no Porto e empate PS-CDU em Almada

Inquérito do ICS/ISCTE para o Expresso e a SIC mostra PS mais fragilizado no Porto e PSD a descer tanto no Porto como em Almada.

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Rui Moreira tem, de acordo com esta sondagem, reeleição garantida no Porto Nelson Garrido

Serão más notícias para o PS e PSD, assim-assim para a CDU e muito boas para Rui Moreira, aquelas que representam os resultados das sondagens publicadas nesta sexta-feira pelo Expresso. Se as eleições autárquicas fossem hoje, Rui Moreira era reeleito presidente da autarquia portuense com maioria absoluta e até arriscava a conseguir um resultado melhor do que há quatro anos. Em Almada, que o PS roubou à CDU em 2017 (com surpresa para ambos), Inês de Medeiros e Maria das Dores Meira estão separadas por apenas um ponto, com vantagem para a socialista.

De acordo com a sondagem do ICS/ISCTE para o Expresso e a SIC realizada entre os dias 25 de Junho e 10 de Julho, Rui Moreira poderia ter 45% dos votos (teve 44,46% em 2017), ao passo que o socialista Tiago Barbosa Ribeiro (o terceiro nome do PS depois da desistência do secretário de Estado da Mobilidade Eduardo Pinheiro e da recusa do secretário-geral-adjunto José Luís Carneiro) se ficaria pelos 25%. Este resultado é até mais baixo do que os 28,55% conseguidos por Manuel Pizarro nas últimas autárquicas.

O possível reforço de Rui Moreira mostra que este acaba por não ser afectado pela polémica do caso Selminho, em que o autarca, que vai começar a ser julgado em Novembro sob a acusação do crime de prevaricação, arrisca a pena de perda de mandato. A sondagem mostra que Moreira tem uma avaliação positiva mesmo junto de três quartos dos inquiridos que disseram ser simpatizantes do PSD e do PS.

Já o PSD, cujo presidente liderou a Câmara do Porto entre Janeiro de 2002 e Outubro de 2013 e teve resultados sempre acima dos 42%, fica-se agora por um dígito: se Álvaro Almeida só conseguiu 10,39% em 2017 (o pior resultado social-democrata no Porto), Vladimiro Feliz, que foi o braço direito de Rui Rio no município, teria apenas 8%, segundo esta sondagem. Um valor, aliás, igual ao da comunista Ilda Figueiredo, e pouco acima dos 5% do bloquista Sérgio Aires.

Esta sondagem sobre a intenção de voto para a Câmara do Porto foi coordenada por uma equipa do ICS e do ISCTE-IUL, com o trabalho de campo feito pela GfKMetris, realizado entre 26 de Junho e 10 de Julho, com 800 entrevistas válidas a residentes no município do Porto, através de simulação de voto em urna. A margem de erro é de 3,5% e o nível de confiança de 95%.

Empate técnico em Almada

Mais a sul, a disputa por Almada, onde a CDU aposta forte chamando a até aqui autarca de Setúbal Maria das Dores Meira para tentar recuperar a câmara onde reinava desde 1976, promete ser renhida até ao fim — como foi, aliás, a contagem de votos em 2017, fechada com uma diferença de apenas 413 boletins. Segundo a sondagem, PS e CDU estão neste momento num empate técnico, já que 34% dos inquiridos votaria em Inês de Medeiros e 33% em Maria das Dores Meira.

Porém, além desses valores, é preciso olhar em volta: a margem de erro do inquérito sobre Almada é de 3,98%, o nível de confiança de 95%, e os indecisos são ainda muitos (26% não sabem em que vão votar e 9% respondem que não irão votar), o que torna o resultado ainda mais imprevisível.

Almada é um caso de empates: além do topo da tabela, também o Bloco e o PSD (em coligação com CDS, PPM e MPT) aparecem colados, com 11% cada. Isto representa um deslize da direita, já que em 2017 o PSD registou 14% e acabou por ser a tábua de salvação do PS com uma coligação para a governação do município, e o CDS tinha tido 2,5% — agora, juntos, conseguem bem menos. Mais abaixo surge o Chega, com 5% e a Iniciativa Liberal com 3%.

Esta sondagem sobre o concelho de Almada foi coordenada por uma equipa do ICS e do ISCTE-IUL, com o trabalho de campo feito pela GfKMetris, realizado entre 25 de Junho e 10 de Julho, com 605 entrevistas válidas a residentes no município de Almada, através de entrevista telefónica. A margem de erro é de 3,98% e o nível de confiança de 95%.