Pausa nas Birras! Porque férias com miúdos exigem muita energia

Depois de duas temporadas de Birras de Mãe, Ana e Isabel Stilwell, filha/mãe e mãe/avó, já se estão a preparar para uma terceira leva de cartas sobre questões comuns a tanta gente. Até lá, dizem, precisam de muita energia “para sobreviver até os miúdos voltarem à escola”.

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@DESIGNER.SANDRAF

Queridos pais e avós birrentos!

Estivemos a pensar e chegámos à conclusão de que temos a mesma relação com as férias dos miúdos do que a que temos com o frio e o calor: sempre que sentimos um, ansiamos desesperadamente pelo outro.

Quando os miúdos estão na escola vamos riscando os dias no calendário até ao final do ano letivo. Sonhamos com o alívio de não ter que preparar lancheiras de manhã, de conseguir dormir nem que seja mais um bocadinho, de não termos que os chatear por causa dos TPC ou aturar os seus ataques porque se lembraram de repente que tinham teste no dia seguinte.

Mas, mal começam as férias, a meio da manhã começamos a entrar em pânico com a quantidade de horas que ainda faltam para os deitar, a enervar-nos porque ainda estão de pijama, a irritarmo-nos quando nos perguntam constantemente qual é o “programa”, enquanto desdenham qualquer sugestão que lhes damos. E mal os vemos a jogar, catastrofizamos todas as guerras que ainda vamos ter sobre o tempo na Playstation.

Os próprios miúdos, que sonhavam com as férias, dois dias depois estão a dizer-nos que têm saudades dos amigos, que os professores não eram assim tão maus e que sempre era melhor do que ficar “enfiado nesta casa com os chatos dos meus irmãos...”

É nesta reflexão que percebemos que o rótulo de “férias” que tínhamos na cabeça veio dos nossos tempos de criança, de adolescente ou de adultos sem filhos, em que estes tempos eram sinónimo de descanso e liberdade! Continuamos a sentir o coração a bater pelas “férias”, até percebermos que são como aquele ex-namorado que venerávamos e que agora está gordo, careca e trabalha numa repartição das finanças (pedimos desculpa pela generalização!).

Por tudo isto, queríamos escrever-vos a dizer que estamos solidárias convosco. (A Ana acrescenta que envia uma força especial aos pais que vão passar as férias com os avós/sogros, mas lembra que já que estamos a escrever esta carta em conjunto prefere abster-se de desenvolver o tema.)

Como as nossas birras são o mais genuínas possíveis, e não só para produzir estas cartas, concluímos que vamos precisar de toda a nossa energia para sobreviver até os miúdos voltarem à escola e, por isso, interrompemos a nossa correspondência aqui nas páginas do PÚBLICO.

MAS, por favor, fiquem connosco nas redes sociais, Facebook e Instagram, onde vamos dando (e, esperemos, recebendo) notícias!

Em setembro, voltaremos cheias de novas ideias para este projeto que começou com duas pessoas, mas que, para nosso orgulho, se transformou numa comunidade de mães e avós birrentas de que muito nos orgulhamos.

Até setembro. 


No Birras de Mãe, uma avó/mãe (e também sogra) e uma mãe/filha, logo de quatro filhos, separadas pela quarentena, começaram a escrever-se diariamente, para falar dos medos, irritações, perplexidade, raivas, mal-entendidos, mas também da sensação de perfeita comunhão que — ocasionalmente! — as invade. Mas, passado o confinamento, perceberam que não queriam perder este canal de comunicação, na esperança de que quem as leia, mãe ou avó, sinta que é de si que falam. Facebook e Instagram.

As autoras escrevem segundo o Acordo Ortográfico de 1990