Antigo bacalhoeiro Argus vai ser recuperado e transformado em museu

Projecto desenhado pela Câmara Municipal de Ílhavo passa por colocar o antigo lugre em seco, à imagem do que acontece com o Cutty Sark, em Londres.

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O estado de degradação a que o navio Argus tem estado sujeito, no Cais dos Bacalhoeiros, na Gafanha da Nazaré, parece ter, finalmente, os dias contados. A Câmara Municipal de Ílhavo e a empresa que, em 2009, evitou que o veleiro histórico fosse desmantelado, a Pascoal, encontraram um modelo que permitirá avançar com a recuperação do navio imortalizado por Alan Villiers, no documentário A Campanha do Argus. Os planos passam por recuperar o antigo lugre e colocá-lo, em seco, no Jardim Oudinot, a funcionar como unidade museológica. As estimativas apontam para um investimento na ordem dos 4 milhões de euros.

“É um modelo inteligente que nos permitirá recuperar um património que tem uma história muito importante para contar”, ressalva Fernando Caçoilo, presidente da autarquia ilhavense, servindo-se do exemplo do navio Cutty Sark, que está em doca seca, no sudeste de Londres. Porque não colocá-lo a navegar? “Não há dinheiro, custaria três ou quatro vezes mais do que prepará-lo para ficar em terra”, aponta o autarca. Seria uma “utopia”, refere Fernando Caçoilo, achar que o país consegue suportar a recuperação e a manutenção de mais um destes veleiros históricos a navegar.

Aníbal Paião, administrador da Pascoal, admite que “a ideia inicial” era colocá-lo a navegar, à semelhança do que a empresa fez com o Santa Maria Manuela – embarcação que acabou por vender, em 2016, ao grupo Jerónimo Martins – mas a conjuntura económica que o país atravessou e os próprios exemplos dos dois navios irmãos “aconselhavam a redobrada prudência”. Importa lembrar que, ultimamente, têm sido conhecidos vários alertas relativamente à falta de dinheiro para recuperar o Creoula, “irmão” do Argus e do Santa Maria Manuela, que permanece parado há três anos - as câmaras municipais de Lisboa e da região de Aveiro já se comprometeram a financiar os trabalhos em cinco milhões de euros, cabendo o remanescente à tutela (Ministério da Defesa).

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Maquete de como ficará o museu

Relativamente ao Argus, fica para já a certeza de que a Câmara Municipal de Ílhavo assume a propriedade e gestão do navio – a Pascoal vai doá-lo a custo zero, ao abrigo da política de mecenato cultural, assim que seja desenhado o projecto de recuperação e reabilitação e encontrado suporte financeiro no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio.

“É um primeiro passo, mas é um passo muito dinâmico”, destaca o autarca, que esta quinta-feira deu nota pública do protocolo assinado com a empresa Pascoal, divulgando ainda as primeiras imagens daquela que será, então, a terceira vida do Argus. Depois das epopeias vividas na pesca do bacalhau, o lugre esteve, durante muitos anos, a navegar como embarcação turística nas Caraíbas, sob o nome de Polynesia II.

Nesta nova fase da sua vida, o histórico bacalhoeiro ficará próximo do cais do Santo André, antigo arrastão que funciona como navio-museu e pólo do Museu Marítimo de Ílhavo. “Com a colocação do Argus no Jardim Oudinot todo aquele espaço vai ficar ainda mais bonito”, faz questão de vincar Fernando Caçoilo. À mais valia paisagística junta-se a inquestionável importância patrimonial. A memória da epopeia dos portugueses na pesca do bacalhau na Terra Nova - em especial, a da faina maior, feita nos pequenos dóris por um só homem nos remos - ganhará um novo testemunho vivo.

Expoente máximo da Frota Branca portuguesa, o Argus foi construído na Holanda em 1939 e, no ano seguinte, já participava na campanha do bacalhau. Com quatro mastros e casco de aço, pertencia, tal como o Gazela I e o Creoula, à empresa Parceria Geral de Pescarias. Manteve-se como bacalhoeiro até 1970, altura em que se reformou, já obsoleto.