Três missões chegaram ao planeta vermelho este mês

A órbita de Marte vai ficando repleta de visitantes da Terra. Os últimos chegaram na semana passada e já nos enviaram recordações do planeta vermelho.

Foto
Imagem de Marte enviada pela sonda Hope depois de ter entrado na sua órbita UAESA/MBRSC/LASP/EMM-EXI

As sondas espaciais da China e dos Emirados Árabes Unidos entraram há cerca de uma semana na órbita de Marte e têm-nos presenteado com as suas imagens do planeta. A Tianwen-1, da China, deu-nos uma fotografia a preto e branco tirada quando estava a cerca de 2,2 milhões de quilómetros do planeta. Já a Hope, dos Emirados, tirou uma fotografia a 25 mil quilómetros da superfície de Marte. Esta quinta-feira chegou também ao solo marciano o robô Perseverance, dos Estados Unidos. 

A Tianwen-1 (que significa Questões para o Céu) é a primeira missão interplanetária independente da China a Marte. Lançada em Julho de 2020, levou consigo um orbitador, um módulo de pouso e um robô. Começou a orbitar Marte na semana passada e espera-se que pouse no planeta em Maio deste ano. O seu grande objectivo é conseguir informação sobre o solo, a estrutura geológica, o ambiente e a atmosfera do planeta, bem como indícios de água.

Já a Hope (originalmente Al-Amal, que significa esperança) está em órbita desde a semana passada para estudar o clima e a meteorologia do planeta. Esta é a primeira missão interplanetária e permanecerá, pelo menos, um ano de Marte (dois na Terra) às voltas ao nosso planeta vizinho.

Mas estas sondas não estão a orbitar Marte sozinhas. A sonda 2001 Mars Odyssey da NASA entrou na órbita de Marte em Outubro de 2001. Uma das suas grandes missões era fazer o primeiro mapa global da quantidade e distribuição de muitos elementos químicos e minerais na superfície marciana. Conseguiu completar a missão entre 2002 e 2004 e ainda hoje continua a funcionar. De todas as sondas da NASA, esta é a que tem uma maior longevidade.

Foto
Imagem de Marte enviada pela sonda Tianwen-1 depois de ter entrado na sua órbita CNSA/PEC

Também desenvolvida pela NASA, a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) está a orbitar Marte desde Março de 2006. Esta sonda levou consigo poderosas câmaras para captar detalhes da superfície do planeta com grande nitidez. A bordo da MRO foi um instrumento para procurar água no subsolo, o que foi importante para a selecção de futuros locais de pouso para a exploração de Marte.

Em 2014, foi a vez da sonda Mars Atmosphere and Volatile Evolution (também da NASA) começar a orbitar Marte. O seu objectivo era estudar a composição da atmosfera superior do planeta. Há uns tempos acabou por passar para uma órbita inferior para que pudesse desempenhar um papel de antena de transmissão para futuras comunicações com o robô Perseverance. Esperava-se que a sonda ficasse activa apenas durante dois anos, mas agora estima-se que possa viver até 2030.

A Mars Express foi a primeira missão lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) para explorar outro planeta do sistema solar. Entrou na órbita de Marte em 2003 e tem a intenção de explorar a atmosfera e superfície marcianas a partir da órbita polar. Esta missão ainda no activo tem a participação da NASA e da Agência Espacial Italiana.

Em colaboração com a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), a ESA também desenvolveu o programa ExoMars, que está dividido em duas missões: a ExoMars Trace Gas Orbiter, que orbita Marte desde 2016; e o robô Rosalind Franklin, que deverá ser lançado em 2022. Estas são duas missões com o grande objectivo de descobrir se uma forma de vida pode ter existido no planeta vermelho.

Há ainda uma sonda indiana a orbitar Marte, a Mars Orbiter Mission (MOM). Em 2014, este orbitador desenvolvido pela Organização de Investigação Espacial da Índia (ISRO) conseguiu entrar na órbita de Marte para explorar a sua morfologia, mineralogia e atmosfera. A Índia tornou-se o primeiro país asiático a atingir o planeta vermelho e o primeiro país do mundo a conseguir o feito sozinho logo à primeira tentativa. A ainda activa MOM também viajou para o planeta com a ambição de investigar possível vida passada. No fundo, aquilo que todos os visitantes do nosso planeta vizinho ambicionam.